BERNARDINO MACHADO E AS COMEMORAÇÕES DA REPÚBLICA EM FAMALICÃO
indiscutivelmente para o Dr. Sá Marques, com um abraço de amizade fraterna

Em 1897, contudo, uma opinião bem diferente surge com Gonçalves Cerejeira, famalicense e republicano (avô de Armando Bacelar) num texto que então publica mo jornal "O Porvir", em 4 de Agosto, na sua rubrica mais do que famosa "Palavras Vermelhas", na recepção que então realiza à 2.ª edição das "Notas Dum Pai". Salientando inicialmente o papel de Bernardino Machado enquanto lutador pela "causa da instrução popular e da educação cívica portuguesa", salienta, a dado passo, o seguinte: "... que muitas daquelas pequenas notas tão grande e original é o seu alcance de actualidade e interesse social, que dariam, desenvolvidas e esplanadas, volumosos tratados relativos aos mais variados ramos da ciência e da filosofia. Porque as Notas Dum Pai, metodicamente deduzidas e concatenadas, tratam de tudo em poucas palavras, fazem um livro, por assim dizer, enciclopédico, mas visando singularmente a este objectivo supremo - a educação." Focando Cerejeira que as "Notas Dum Pai" podem constituir "uma bela cartilha popular de educação", destacam-se duas ideias relacionadas: a realidade prática constrói uma filosofia da educação. Se Bernardino Machado destaca vários tipos de educação (a real, a prática, a oral, a intelectual ou a estética, esta não só numa perspectiva artística como também física, cívica e económica), vai nestabelecendo uma espécie de um catálogo das virtudes (curiosidade, serenidade, esperança, confiança, simpatia, vontade, esforço, harmonia, cordialidade, bondade, patriotismo, afectividade, etc.) e de vícios (frivolidade, exagero, idiotice, egoísmo, estupidez, preguiça, fraqueza, etc.). Paralelamente, desenvolve três grandes temas: a educação feminina, a filosofia política e a educação social (conforme os textos já publicados no I Tomo), sendo esta última postura teórica posteriormente retomada por António Sérgio.
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