Mostrar mensagens com a etiqueta Teixeira de Pascoaes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teixeira de Pascoaes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de julho de 2011

pascoaes e espanha

"Sabíamos que Pascoaes tinha viajado por espanha e que tinha amigos espanhóis, mas não imaginávamos a extensão deste volumoso epistolário. São várias dezenas os interlocutores, uma boa parte dos intelectuais espanhóis da época, com o resultado de mais de trezentas cartas (entre o mais nutrido elenco contam-se as cinquenta e quatro de Maristany e as dezanove de Unamuno) ao longo de quase meio século de correspondência. Começam cronologicamente em 1905 com as cartas de Unamuno, e pensamos que foi este quem o introduziu no círculo de amizade dos outros espanhóis. / Até 1913 não conhecemos o segundo interlocutor, um destacadíssimo iberista catalão, Ribera i Rovira. Depois, ininterruptamente até 1952, vão aparecendo mais e mais interlocutores, mais de setenta. É meio século de correspondência, na qual se destacam os intelectuais da periferia, galegos e catelães, como uma temática bastante monocórdica: nacionalismo, saudade-anyorança, paisagem, união cultural, atlantismo com a Galiza. Por outro lado, com a cortesia mais requintada impera o vaidoso interesse de ver publicadas, traduzidas ou comentadas as obras respectivas (quando é o caso). Um aspecto que subjaz a esta correspondência é a profunda admiração e respeito de todos os interlocutores que conheceram Teixeira de Pascoaes, destacando-se aqueles que o visitaram em Amarante (é o caso de Unamuno e Eugenio D`Ors, por exemplo). / Há nomes importantes entre os seus interlocutores: Unamuno, D`Ors, Ribera i Rovira, Noriega Varela, Díez-Canedo, Eugenio Montes, Cases-Carbó... (para não mencionar já Garcia Lorca ou Leopoldo Panero, ainda que minimamente representados neste epistolário."


Ángel Marcos de Dios


"Nós reproduzimos todas as cartas dos intelectuais galegos, mesmo que já tinham sido publicadas. No entanto, são cerca de duzentas cartas, de muitos outros intelectuais espanhóis ilustres, com sabor a inédito, e são também muitos os poemas que procurámos divulgar neste nosso volume. Estamos certos de que, ao fazê-lo, não só homenageamos o nosso autor como todos aqueles que, movidos pelo anseio de uma união espiritual ibérica, se dedicaram ao estudo e conhecimento da Literatura e Cultura portuguesas, permitindo, desta forma, não só uma maior aproximação cultural e fraterna entre Portugal e Espanha, como uma maior projecção do valor literário e humano do poeta Teixira de Pascoaes."


Lurdes Cameirão

terça-feira, 19 de julho de 2011

pascoaes em espanha

já aqui se fez referência a um outro iberismo, o iberismo da reforma educacional de ambos os países, de espanha e de portugal, pelas ideias de francisco giner de los rios e de bernardino machado. aqui destaco a federação espiritual ibérica na óptica de pascoaes. aliás, ángel marcos de dios destaca três tipos de iberismo: o primeiro pretendia englobar os dois países de forma a construírem um só, debaixo da mesma coroa; o segundo, baseando-se numa federação ibérica, a qual advoga a união depois de destruir o centralismo castelhano, sendo defendido tanto por portugueses como espanhóis. da parte dos portugueses temos antero, teófilo, filipe nogueira, malgalhães lima; da parte dos espanhóis, ribera i rovira, nido y segalerva, vicente gay e cases-carbó. oliveira martins encontra-se ligado ao federalismo ibérico, mas numa perspectiva que tem que ver com a unidade de pensamento e de acção, mas independência política. martins é apresentado como o mentor das ideias iberistas, quer por parte dos espanhóis, quer por parte dos portugueses. no terceiro caso, surge o iberismo espiritual, que solicita um entendimento e uma acção espiritual comum. neste último, marcos dias inclui, por parte dos portugueses, antónio sardinha, moniz barreto, teixeira de pascoaes e vitorino nemésio, e, por parte dos espanhóis, miguel de unamuno, joan maragall, ángel ganivet, ramiro de maeztu, calvo sotelo e marqués de quintanar. o "iberismo" educacional de giner de los rios e bernardino machado é bem diferente de todos estes iberismos, ficando fora dos três iberismos apontado por marcos de dios.






"O trabalho é constituído por três partes. Na primeira, pretendemos destacar algumas atitudes ideológicas e culturais, sobretudo as que ocorreram nos últimos anos do séc. XIX e princípios do séc. XX, procurando, desta forma, não só uma justificação para o problema do afastamento que tanto parecia preocupar os intelectuais de ambos os países, como também para uma melhor compreensão de alguns dos ideais estéticos-doutrinários que enformam o pensamento da «Geração de 70» portuguesa, e da «Geração de 98» espanhola, fruto de todo um ambiente e clima social, político e literário em que os escritores destas gerações se moviam. [...] A segunda parte do trabalho procurará traçar e distinguir os pontos principais do iberismo do poeta luso, através do seu universo poético. Este merecerá a nossa especial atenção e será possível duma análise textual que nos permitirá destacar mitos e símbolos relacionados com o seu conceito de ideal ibérico e com o seu profundo humanismo. / [...] A terceira parte, tendo como fulcro o epistolário ibérico de Pascoaes, incidirá sobre o olhar crítico de espanha face à sua obra e ao seu pensamento: o fascínio que ele despertou nos meiso cultos do país vizinho; a correspondência trocada com galegos, catalães e, principalmente, com Unamuno, de cujos ideais ibéricos se fez arauto, enobrecendo-os com a sua preclaríssima visão."(18-20)






I - Iberismos e Idealismos



Alguns aspectos do Iberismo dos finais do século XIX, princípios do século XX.



A «Geração de 70» portuguesa e a «Geração de 98» espanhola: suas afinidades.



O neogarretismo, o mito sebástico e o Saudosismo.



Aproximação ao pensamento de Pascoaes.



A Saudades sentimento da raça lusíada, em Teixeira de Pascoaes.



Teixeira de Pascoaes. A «Renascença Portuguesa». A Águia: reacções críticas.






II - O Iberismo na Obra de Teixeira de Pascoaes.



A palavra poética e o ideário ibérico de Pascoaes.



A expressão do sentimento rácico e do exaltado patriotismo nacional e peninsular em Pascoaes.



A literatura peninsular: os mitos, os arquétipos e os símbolos na via do iberismo espiritual.



A revelação da paisagem e da alma dos povos ibéricos.






III - A recepção de Pascoaes em Espanha e o seu epistolário ibérico



Pascoaes e a geração galega de Nós.



Pascoaes e os interlocutores da Catalunha.



Pascoaes e Unamuno: obreiros da Ibéria «celestial»



As Sombras, o São Paulo e a crítica: Unamuno e o despontar de uma projecção peninsular, europeia e hispano-americana.



Fernando Maristany e o seu contributo na projecção do pensamento e obra de Pascoaes.



Francisco Luis Bernárdez e António Noriega Varela: dois discípulos e amigos do poeta de Amarante.



Valentín de Pedro: o tradutor de Terra Proíbida.



A tradução, em espanhol, do Regresso ao Paraíso, e a internacionalização do nome de Teixeira de Pascoaes.



Outras manifestações de fraterna admiração dos intelectuais espanhóis por Pascoaes.






domingo, 8 de agosto de 2010

teixeira de pascoaes (1877-1952)



























































































pascoaes, imortal

Uma das primeiras leituras, possíveis, de Pascoaes, entre muitas outras, a descoberta de nós mesmos! Leituras de outrora, leituras de sempre!


PASCOAES, Teixeira de
Senhora da Noite. Pref. Eugénio de Andrade. Lisboa: Assírio & Alvim, 1986. 45 p. (Gato Maltês; 16)
Chora por mim,
A dor, nas cousas mortas, encantada.
E chora, como as árvores sentindo
Esse orvalhado alívio das manhães.
Gotas de fogo líquido, sorrindo,
Ó doce orvalho! Ó lágrimas pagãs!
Aí vem a meia noite... Olhai, olhai,
Seu vestido nupcial que a lua fez.
Que lindo! Vinde ver como lhe cai,
Num castro alvor de neve, sobre os pés.
Aí vem a meia noite, caminhando,
A murmurar...
Música d`entre névoas ondulando,
Sinfonia de sombra, aéreo mar...
Olhai o vento enamorado e preso
Da sua trança que finda em oiro aceso
E os remotos países alumia.
E vinde ver,
Nas ondas espectrais do seu cabelo,
Como divina jóia, resplender,
O sete-estrelo.
Pôs-lhe, no brando peito, a bela tarde
Sombras de lírios.
E, em seus dedos de anéis, crepita e arde
A esbraseada pérola de Sírius. (22-23)

sábado, 7 de agosto de 2010

crónica do tempo

Hoje nem República, nem realidade, apesar dos jornais de fim-de-semana, especialmente, e como sempre, o "Público" e o "Jornal de Notícias" (ah, e agora a República já não existe para o "Jornal de Notícias", como se não bastasse os "Roteiros", que ainda hoje grande publicidade faz...), terem algumas notícias bem curiosas, mas este tempo repleto de calor (quantas banhocas de água fresca não tomei hoje!), não me apeteceu fazer grandes recortes de imprensa. Foi a sesta, sempre estendido no sofá e nada mais, claro, e lanchar, como não podia deixar de ser, o cafézinho(s) da praxe, e já não foi mau. E então apeteceu-me, antes do jantar, ir ao Teixeira de Pascoaes, tanto livro dele, alguns sobre ele, e vamos lá ver se encontro alguma novidade curiosa e até encontrei: no livro "São Paulo" tinha lá uma dedicatória de António Pedro Vasconcelos! E ambos somos aficcionados por Pascoaes, conforme se pode ver na dedicatória. Pedro Vasconcelos, que por várias vezes já tem a vindo a Famalicão, nesse ano longínquo de 1995 a Biblioteca Municipal organizava então um ciclo de cinema, com filmes escolhidos por várias personalidades. O realizador português escolheu então "Laura" de Otto Preminger, e, concerteza, então, na altura levei o livro de Pascoaes, já que tem a apresentação feita de Vasconcelos, e pedi-lhe uma lembrança: aqui está ela para a posteridade. E da introdução de Pascoaes ao seu livro transcrevo um sublinhado (eles são tantos!):







Nós somos o universo, indivíduo e multidão, árvore e floresta. A nossa imagem, nitidamente recortada, emana uma expressão interior, que a envolve e prolonga, no Infinito; mas é sempre a nossa imagem, ou aqui, neste núcleo concentrado, ou, além, como esparsa numa auréola. / Nesta íntima auréola é que vivemos e tocamos as cousas exteriores. Interiormente é que tocamos o exterior. (19)