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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

fidelino de figueiredo

uma das amabilidades, entre outras, do dr. sá marques! não tenho palavras para tanta amizade... Ah, esta ainda não é a surpresa...
























































joel serrão e antónio sérgio


SÉRGIO, António
Prosa Doutrinal de Autores Portugueses. António Sérgio; Sel., pref. e notas Joel Serrão. Lisboa: Portugália, [1957?].



  • O Dr. Manuel Sá Marques teve a amabilidade de me oferecer esta raridade bibliográfica, esta antologia de textos sergianos, que desconhecia, organizada por Joel Serrão. A oferta tem uma razão de ser, na medida em que, muitas vezes, falávamos sobre Bernardino Machado e António Sérgio, a originalidade de Machado no campo da educação social e o quanto Sérgio lhe seguiu, tendo sido Machado, mesmo hoje, ostracizado pela intelectualidade contemporânea portuguesa. Nesta perspectiva, é necessário, quer se goste ou não, da sua personalidade, revitalizar o pensamento de Bernardino Machado, pelo menos, no que me diz respeito, no campo pedagógico, espantandso-nos a sua originalidade teórica e, ao mesmo tempo, prática, o que nunca sucedeu com nenhum teórico. O Dr. Sá Marques quando me dizia, Quando cá vem, Quando cá vem, tenho aqui várias coisas para si, e eu dizia-lhe, Mas não é por isso, é pela sua companhia, Mas tenho aqui algumas coisas para si, para a sua biblioteca, eis o que me dizia... Neste último fim-de-semana fui, e tive esta surpresa e oferta admirável, dizendo o Dr. Sá Marques que Joel Serrão até escreveu umas Coisas curiosas... Sim, de facto, sob a influência sergiana, Serrão escreveú uma introdução que nos coloca no pensamento de Sérgio, uma introdução bem clarificadora. Mas, Dr. Sá Marques, a surpresa ainda não é esta...

sábado, 6 de março de 2010

junqueiro, o profeta


(RE) CRIAR PORTUGAL




"nada há de novo dabaixo do sol." (Eclesiastes)


Tomo como princípio argumentativo das Conferências do Casino, o qual pretendia, acima de tudo, a renovação da sociedade portuguesa pela seguinte estratégia, recorrendo, para tal, de uma carta de Antero a Teófilo. Osa paradigmas anterianos anunciados são a racionalidade, a humanização positiva das questões morais, a ética da simpatia face aos mitos teologais, os princípios democráticos na esfera política, a proclamação de uma ética do trabalho, o fim social e regenerador da arte e da literatura para combater o egoísmo e o individualismo (contudo, alguns deles, caso de Eça, alterariam o rumo social da arte para a metafísica da inteorioridade na literatura, caso de Jacinto da "Cidade e as Serras" e com Fradique Mendes). Tais eram as medidas com que a Geração de 70 pretendia para a renovação mental da sociedade portuguesa em decadência latente face à Europa, esta encarnada como ficção e realidade no Portugal de então, e de novo reencarnada como mito na contemporaneidade. Contudo, a Geração de 70 propugnou uma ética de convergência, cuja regenaração da sociedade portuguesa uma ética de identidade, evocando Guerra Junqueiro "um mundo novo que há-de vir", o qual irá aparecer "não pela cifra dos economistas, não pelas revoltas da anarquia, mas sim pelos heróis e pelos santos dessa nova e soberana igreja universal". Este idealismo utópico junqueiriano, cuja regenração da sociedade portuguesa se realiza pela redenção da dor, isto é, no fundo, por uma ética epicuriana, acaba por ser esse essa identidade unificadora que não se ressalva no Portugal de hoje, mantendo-se no mesmo individualismo e egoísmo dos tempos da Geração de 70. Aliás, Junqueiro, ele próprio, será a mitificação, no futuro, da ética laica republicana, convertido no profeta da revolução, conforme se pode ver na "Ilustração Portuguesa" de 1910. Antero já tinha sido mitificado em "santo"! Não deixa de ser, portanto, curiosa esta ética identificadora à volta do "grande homem" (Antero queixa-se da falta de um "homem superior"), na significação hegeliana e comteana, ou então no reflexo do herói de Carlyle, ou então no homem representativo de Emerson. Acima de tudo, o super-homem nietzschiniano, tão bem demarcado hoje na sociedade perante a ética meritocrática! Este ideal de convergência para o enaltecimento pátrio irá ter os seus efeitos no espírito comemorativo nos finais do século XIX, no qual a história assume uma ontologia societária, em termos de instrução e de educação. isto mesmo se pode ver na organização do Partido Republicano nas estruturas locais, para o desenvolvimento da ética cívica. Tal projecto será destronado pela nova história, na qual, de incidência marxista, irá evidenciar a interioridade do humano em toda a sua complexidade, perante o meio onde se desenvolve, até porque a História não é a dos grandes homens. Termino esta breve reflexão perante a citação em epígrafe: se Antero proclama a ideia de decadência (na literatura, na filosofia e até na ciência), hoje evidenciaria, perante os avanços tecnológicos ( e da aliança com que o poder realiza entre ideologia e tecnologia), que o ser humano se esquece de si mesmo, na terminologia heideggeriana da sua casa, que possivelmente não há literatura...

quinta-feira, 4 de março de 2010

literatura

De indispensável leitura é A Cartilha do Marialva. Que grande livro!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

ideias soltas

Começou já na semana passada a primeira edição e-learning do curso "Meio Século de Literatura Portuguesa (1880-1930)" promovido pelo Instituto Camões. , aliando-se esta instituição desta forma à Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Aliás, comentário à margem, quem deveria frequentar este curso eram os senhores(as) que organizaram a exposição "Resistência", na qual, e sendo um dos propósitos da comissão da referida exposição, a divulgação daqueles que resistiram "pela liberdade intelectual, artística, literária, científica e académica,, conforme se pode ler no catálogo da mesma, até porque na referida exposição este mesmo propósito é nulo (já aqui comentei a exposição e o ´seu catálogo). Mas voltando ao curso em questão, o seu tutor é o prof. Dr. José Carlos Seabra Pereira, o qual já colaborou com a autarquia famalicense nas suas actividades culturais. Tendo em conta o 1.º módulo, deixo aqui algumas reflexões singulares e algumas notas soltas para discussão.


Assim sendo, vou a uma das minhas estantes, nomeadamente à bancada de Filosofia, das ideias e das mentalidades e pego num livro que ao longo do tempo me tem seguido, não só por ter aplicado as suas ideias aos estudos literários famalicenses, para estes serem colocados num plano global, mas igualmente pela aliciante e fascinante leitura que sempre me cativou: falo, claro, do livro de António José Saraiva que se chama "A Tertúlia Ocidental".

Ao folheá-lo, surgiram-me alguns sublinhados e deparei-me com um fragmento de uma carta de Antero de Quental a Teófilo Braga. Nesse mesmo fragmento podemos ler o conteúdo programático e estrutural da Geração de 70. Cito:


"Temos um programa mas não uma doutrina; somos uma associação mas não uma igreja; isto é, liga-nos um comum espírito de racionalismo, de humanização positiva das questões morais, de independência de vistas, mas de modo nenhum impomos uns aos outros opiniões e ideias, fora do âmbito tão largamente marcado à nossa unidade por este comum ponto de vista. Seremos, em religião, pelo sentimento criador do coração humano contra os mitos doutrinais das teologias. Seremos em política, pelo governo do povo pelo povo; em sociologia pela emancipação do trabalho; em literatura e arte pelo fim social e civilizador da arte e da literatura, combatendo as tendências egoístas esterilizadoras que hoje predominam."


Não deixa de ser curioso como Antero reflecte o espírito do seu tempo: "as tendências egoístas esterilizadoras". A sociedade contemporânea vive sobre esse mesmo efeito. O que falta é, acima de tudo, uma identidade e uma ética de convergência. O que agora se diz, daqui a um minuto fica sem sentido, deturpado.

Mas ao lado deste grupo, o da geração de 70, surge, paralelamente, um outro, "Os Vencidos da Vida!" Para além daquele conteúdo programático evocado por Antero, o grupo, senão mesmo ambos, desenvolvem-se num contexto geográfico amplo, não se limitando a uma localidade, mas sim, conforme nos diz Saraiva, radicalizando-se ora em Coimbra, em Lisboa, ou mesmo no Porto. Mas fora deste contexto geográfico, e para além dele, e das personalidades que os envolviam, o que os unia era o seguinte (para além de identificar ambos os grupos) segundo Artur Sá da Costa. Cito:


"Somos tentados a pensar que esta geração (de Camilo, Martins Sarmento, José e Alberto Sampaio, Bernardino Machado) - afinal, também ela parte integrante do núcleo inicial da "Geração de 70" com os irmãos Sampaio e mais tarde Bernardo Pindela (o Conde de Arnoso, secretário do Rei D. Carlos, da Casa de Pindela, com Eça e tantos outros, envolvidos, no mperíodo final daquele movimento cultural e cívico, o dos "Vencidos da Vida") - encontrou-se e expressou o seu talento e afectividade no vale, que serve de leito ao rio Ave, que abraça e une as cidades de Guimarães e Vila Nova de Famalicão [...]



Tal como a "Geração de 70", esta tertúlia do Ave, das décadas de 70/90, do século XIX, tem uma indiscutível qualidade intelectual e um sentido cívico elevado, relacionando-se e convivendo fraternalmente, mantendo uma cooperação intelectual exemplar. / É uma relação singular e incomum. São amigos para conviver, para confidenciar, como para discordar, entreajudando-se, partilhando sem egoísmos o saber para descobrir e compreender. E para sempre. E, estranhamente curioso, sem perda da sua individualidade, não disputam fronteiras físicas, nem esgrimem bairrismos serôdios. O seu horizonte é o país e o universo da humanidade. Une-os o desejo de os compreender e descobrir as origens da terra que habitam, e encontrar caminhos que rompem com o atraso secular do seu país, em busca de um destino colectivo."



Neste sentido, só mais uma pequena reflexão à volta do grupo "Os Vencidos da Vida" e da "Revista de Portugal". Saraiva considera até que esta revista pode ser considerada como o órgão do grupo, na difusão das suas ideias. Contudo, o que já questionei é que se não terá havido aqui um certo exagero da sua parte. Cito o que já escrevi num texto publicado em 2006:
"Não duvidamos que até poderia ter sido e desempenhado o papel enquanto órgão oficial do movimento; e se encararmos algumas figuras famalicenses que na própria revista chegaram a colaborar, uma de ordem natural, caso de Júlio Brandão, outras de ordem afectiva e efectiva, caso de Bernardo Pindela, Alberto Sampaio e Álvaro de Castelões, não nos parece que a revista tenha sido um movimento estético-cultural ou mesmo ideológico"
Como digo de seguida, citando uma carta de Eça de Queirós a Bernardo Pindela, a "Revista de Portugal" foi mais um reportório textual de que propriamente uma identidade configuradora.
Bibliografia
Amadeu Gonçalves - "Literatura & Imprensa: do local ao global". In Boletim Cultural. V. N. de Famalicão, n.º 2, 3.ª série ((2006), pp. 121-144.
António José Saraiva - A Tertúlia Ocidental: estudos sobre Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queiros e outros. Lisboa: Gradiva; Público, 1996

Artur Sá da Costa - "A Tertúlia do Ave: Camilo, Martins Sarmento, Alberto Sampaio, Bernardino Machado e amigos". In Boletim Cultural. V. N. de Famalicão, n.º 3/4, 3.ª série (2007/8), pp. 441-492.