terça-feira, 7 de dezembro de 2010

dias


o fim do dia foi mirabolante, pois claro, já não houve aquele sossego do fim do trabalho com uma leitura e lápis na mão, o cigarro depois do café, por sorte não chovia, e lá fui às compras, quando se vai às compras o final do dias é sempre outro, alguns com novidades, outro sem novidades. e hoje houve novidades, por sorte não chovia, mas ainda houve tempo, depois das compras, de ir ao café, e lá se saiu com o saco das compras na mão, sim, por sorte não chovia, frio também não estava, temperatura amena, assim, e lá se ía deambulando pela rua por onde se gosta sempre de ir, faz lembrar um pouco a infância, poucos são já os sítios da infância, então aquela álvaro de castelões, já não existe, que coisa, os tempos devoraram a existência de uma outra rua, ainda há alguma fotografia por aí, ainda existe um álbum de fotografias do outro famalicão, pelo menos o físico, o mental já não sei, mas dizia então que se deambulava pela rua favorita, e, quando se atravessa para o outro lado, alguém olha com ar muito sério, também com ar muito sério, mas então o que se passa, não fiz nada, até passei na passadeira e tudo, janela aberta, caiu uma lata do saco, olha-se para trás, ora bolas, o saco rompeu-se, o do pão, não era saco propriamente para outras compras, pediu-se desculpas e agradeceu-se, até conheço a pessoa chamativa e atenta pelas ruas de famalicão, lá se vai apanhar a lata, o pão parece que estava vivo, também caiu, ós diabos, lá se foi o pão, não saiu do saco de papel, saiu do plástico, e lá teve que ser, pegar no saco com cuidado para não se perder mais nada, e no quiosque ao pé da paragem do autocarro, arranja um saco, por favor, lá se explica a situação, como se fosse necessário explicar a situação, não há nada a explicar, e depois o guarda-chuva, sempre a mais, mas é preciso, ora, é preciso, e este guarda-chuva já tem durado muito, até demais, e hoje, sinceramente, pouco apetece fazer, até havia uns planos, como aquela participação para a comissão do centenário da república, fazer um texto e unir umas fotografias, texto que se chamaria e se vai chamar "vila nova de famalicão e a república" e assim participa-se, e se participa, e se dava a conhecer ao mundo a república famalicense na temática "repórteres da república", até porque tenho um amigo que quando me vê com a máquina fotográfica na mão e lá estou em alguma actividade diz, cá temos o nosso benoliel, e diz-se, não quero ser tanto, não quero ser tanto! apresento a rua da minha infância...

2 comentários:

Rose Marinho Prado disse...

Saia de novo a rua. É circular, sem ponto, parada, recuo.

Volta lá, o pão não restará mas...poderá encontrar lembrança de tempo de menino.


A angústia desse caminhar é bela.

Amadeu Gonçalves disse...

e ainda me faltou dizer que andava de bicicleta por vila nova, e que há pessoas que ainda hoje assim se lembram de mim, e perguntam há minhamãe, então o menino, ah, um dia destes vi-a com o menino, já tá grande,pois tá, mas ele ía ao seu lado, até pensei, olha que filho, deixa a mãe conduzir, que nada, ele não tem carta, àquela hora é porque gosta de chegar cedo ao trabalho, e como venho a famalicao ele aproveita, ai não tem carta, não... e claro que se continuará a caminhar, o pão já não deve ser o mesmo, não, mas há mais do género, e é bem bom, desaparece num instante.