terça-feira, 16 de março de 2010

a eterna questão

Ser ou não ser, eis a questão. Qual será o partido mais nobre? Suportar as pedradas e as frechadas da fortuna cruel ou pegar em armas contra um inundo de dores e acabar com elas, resistindo? Morrer, dormir, nada mais, dizer que pelo sono poderemos cural um mal do coração e os mil acidentes naturais a que a nossa carne está sujeita é, na verdade, um desenlace que todos nós fervorosamente podemos desejar. Morrer! Dormir, dormir, sonhar talvez? Sim, aqui está o ponto de interrogação; quais são os sonhos que teremos no sono da morte, quando escaparmos a esta tormenta da vida? Isto obriga-nos a reflectir. É tal reflexão que prolonga por tão largo tempo a vida do miserável; quem quereria suportar, na realidade, as chicotadas e os desprezos dos tempos que vão correndo, as injustiças dos déspotas, as afrontas do orgulhoso, as torturas do amor incompreendido, os vagares da justiça, a insolência dos poderosos, os pontapés que o mérito paciente recebe dos indignos, quando para si mesmo podia alcançar a paz com a simples ponta dum punhal?
Hamlet, ele próprio, não Shakespeare

os utopistas

Mas a sua preocupação principal é sobre a felicidade humana, e se ela consiste numa coisa ou em várias. Parecem muito inclinados para a visão de que toda ou a maior parte da felicidade humana reside no prazer. E, por muito estranho que possa parecer, eles procuram apoio para a sua filosofia do prazer na religião, que é séria e austera, de algum modo severa e proibitiva: é que eles nunca discutem a felicidade sem combinarem os princípios racionais da filosofia com os princípios retirados da filosofia. Eles pensam que qualquer questão que diga respeito à verdadeira felicidade, é fraca e defeituosa, a menos que se baseie na religião.
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segunda-feira, 15 de março de 2010

filosofia prática


república


In Jornal de Notícias (13 Mar. 2010), pp. 10-11.




In Jornal de Notícias (14 Mar. 2010), pp. 12-13.


domingo, 14 de março de 2010

pensar portugal


As reportagens que hoje aqui, neste blog, coloquei, nomeadamente as que o "Público" editou no seu 20.º aniversário (a que dei o título geral "A Outra Imagem de Portugal" e "Portugal e/ou no Mundo"), revela apenas que há um outro Portugal para além do orçamento de estado e do plano de estabilidade e de crescimento, um outro Portugal que os sindicatos e este governo socialista pretendem dar a conhecer aos portugueses, o Portugal não real. Portugal, aqui, pelo menos no campo político, continua igual a si mesmo; e isto, porque, quando leio Bernardino Machado, o fenómeno político é o mesmo, a mentalidade é a mesma. Observemos. Num texto de 1895, com o título "Guerra ao Banditismo Político", podemos ler o seguinte: "São conhecidos os acordos eleitorais, em virtude dos quais os partidos conseguiram mais do que falsificar a eleição: suprimiram o eleitor." E mais à frente: "Mas o que não é uma ficção, o que é uma terrível realidade, é o despotismo das facções, que, lançando através de todos os partidos os seus tentáculos para sugarem a vida do país, nos empobrecem e aviltam." Num outro texto, igualmente de 1895, e com o título "O Governo de Engrandecimento do Poder Real", diz-nos a dado passo que "a corrupção política cada vez mais exaspera a paciência pública com os escândalos que sucessivamente vêm à supuração." Julgo que a difrença não é muito. Daqui que incluo o texto de José Matoso "Uma Ideia Portugal" porque mais do que uma ideia para Portugal é necessário e urgente pensar Portugal para o futuro, sem ideias decadentistas, um Portugal activo e não passivo, porque a sociedade portuguesa parece que dá precisamente a ideia de uma sociedade inerte e fechada sobre si mesma, uma sociedade que não pensa o seu momento presente para o futuro. Esta é a grande urgência! E num momento em que as comemorações do centenário da República, com as suas plenas actividades em programação e desenvolvimento, incorporando as escolas e os municípios, está em pleno andamento, o que se deve retirar destas comemorações é precisamente o espírito de pensar Portugal hoje em direcção ao futuro, sem mais nem menos. Será que esse espírito comemorativo o tem conseguido? Só no final das comemorações se fará o balanço, assim o espero, que acima de tudo seja um balanço positivo. Não chega programar actividades e realizá-las, mas pensar que ficou algum fruto para a renovação de Portugal, esse é que deve ser o espírito comemorativo da República. Neste âmbito, podemos ficar igualmente satisfeitos com o destaque que o jornal de cultura "Entre as Artes e as Letras" deu destaque à realização de mais um "Famafest", um festival de cinema e de literatura realizado pela Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, o qual já vai na sua 12.ª edição. Mas esta última semana, o município de Famalicão, em conjunção com a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, organizou também a "Semana de Leitura", durante a qual a autarquia inaugurou mais três novos espaços de leitura, três novas bibliotecas incluídas na rede escolar de Famalicão. O que daqui se espera, acima de tudo, é que estes espaços não sejam espaços amorfos, mas vivos e que criem, particularmente, o hábito de uma leitura que seja crítica para um Portugal melhor: que sejam espaços, essencialmente, criativos, esta é a esperança. No fundo, que sejam espaços dialogantes entre os mais novos, tal como José Gil, conforme o ouvi na tsf, o qual não percebia o que era a última lição, ou melhor, a lição, mas sim que a conferência que proferiu seja um espaço de diálogo contínuo, conforme os seminários que dava, um espaço de diálogo, de crítica, de convivência e de saber, eis o que interessa.




In Público / P2 (6 Mar. 2010), pp. 4-5.

república



In Entre as Artes e as Letras (10 Mar. 2010), pp. 18-19.

famalicão e a cultura








In Entre as Artes e as Letras (10 Mar. 2010), pp. 4-7.