domingo, 10 de outubro de 2010

abílio magalhães brandão (1860-1930)

  • Já aqui fizemos uma breve referência a Abílio Magalhães Brandão, no dia 28 de Julho do corrente ano. Neste dia colocamos um breve texto, o resumo, assim poderá ser, deste trabalho que agora saiu no recente "Boletim Cultural" da autarquia famalicense, com várias ilustrações, as quais dizem respeito à colaboração de Brandão nas mais variadas revistas e jornais da época, tais como a "Nova Alvorada", a "Revista de Guimarães" ou o jornal "A Lavoura do Minho".

  • Amadeu Gonçalves - "Abílio Magalhães Brandão: apontamentos folclóricos famalicenses (folclore, etnografia, costumes". In Boletim Cultural. V. N. de Famalicão, n.º 5, 3.ª série (2009), pp. 163-167.












a filosofia e os filósofos como companhia



DROIT, Roger-Pol
A Companhia dos Filósofos. Trad. Armando Pereira da Silva. Lisboa: Instituto Piaget, 2004. (Pensamento e Filosofia; 102)



I - Os Que Acreditavam na Verdade, Os Que Não Acreditavam
  • i.i - Maneira de Falar, Forma de Viver (Marco Aurélio, Pitágoras, Luciano)
  • i.ii - Dos Gregos Sempre Recomeçados (Heráclito, Demócrito)
  • i.iii - Silêncios e Comentários (Sócrates, Platão, Aristóteles)
  • i.iv - Não Esquecer a Índia (Georges Vallin, André Bareau)
  • i.v - Estrelas Cadentes (St.º Agostinho, Guilherme d`Ockam, Montaigne, Giordano Bruno, Pic de la Mirandola)
  • i.vi - Razão Clássica (Descartes, Espinosa)
  • i.vii - Exercício de Desilusão (Hobbes, Gassendi, Jacques Esprit)
  • i.viii - Luzes Paradoxais (Lawrence Sterne, berkeley, Madame de Châtelet, Dom Deschamps, Sade)
II - Alguns Mortos: Deus, Rei, Verdade
  • ii.i - A Operação às Cataratas (Kant, Volney)
  • ii.ii - A Mala-Posta e as Marionetas (Hegel, Schopenhauer)
  • ii.iii - À Procura de Absoluto (Schelling, Wilhelm von Humboldt, Feurbach)
  • ii.iv - Ciência, Amor e Couve-Flor (Comte, Fourrier, Joseph Ferrari, Proudhon)
  • ii.v - Os Marx e a Plebe (Matx, Louis-Gabriel Gauny)
  • ii.vi - Renascença Oriental (Coronel de Polier, Renan, Sobravardi)
  • ii.vii - Um Mau Rapaz (Nietzsche)
  • ii.viii - Intermédio (Bergson, Maurice Blondel, Carlo Michelstaedter, Jaurés, Georges Palante)
III - Depois das Guerras
  • iii.i - O Idiota da Tribo (Wittgenstein)
  • iii.ii - Nazi Contra Vontade (Heidegger)
  • iii.iii - Combate (Cavaillès, Jankelevitch, Boris Vildé, Arendt)
  • iii.iv - O Lugar Vazio (Bernard Grvethuysen, Max Horkheimer, Sartre, Merleau-Ponty, Ernst Cassirer)
  • iii.v - O Caimão e o Espectáculo (Althusser, Debord)
  • iii.vi - Amanhã a Ásia (Mêncio, Swâmi Prajnânpad)
  • iii.vii - Foucault não é Foucault
  • iii.viii - Santo Deleuze
  • "Quer a filosofia, no seu desenvolvimento, seja uma marcha para o absoluto ou uma série de acasos e de ignorâncias, um perpétuo recomeço ou um progresso marcado por patamares e rupturas, atrevemo-nos a dizer que isso não tem importância. Pelo menos quanto ao uso prático que recomendamos aos utilizadores deste livro. Em vez de construir grandes considerações sobre a evolução do pensamento, gostaríamos de convidar o leitor a sentar-se e a fazer um esforço para deixar de estar triste." (19-20)
  • "A questão não é obrigar-se a ser alegre nem fazê-lo artificiosamente. Mas compreender como a mágoa é uma vida menor, um apoucamento. Uma das questões chaves da filosofia é perguntar não só o que podemos saber, mas também o que podemos fazer desses saberes na nossa existência, em que medida eles são capazes da a guiar, de a engrandecer, de a apoiar na sua evolução." (20)
  • "... e ainda o sentimento de que a filosofia não é necessariamente difícil, reservada a alguns poucos, só acessível nos fundos dos corredores escuros de muito antigas bibliotecas onde só depois de se ler tudo se pode começar a pôr uma questão. / Ela é o inverso. A experiência do pensamento passa por uma relação directa com textos, sem as glosas, sem os comentadores inesgotáveis. Ou os grandes textos devem manter-se inacessíveis, só vislumbrados, em fim de vida, pelos melhores peritos, ou a filosofia pode existir, tal e qual, para cada um, para quem se dê ao trabalho. Numa espécie de festa e de prazer especial. Convivei, pois, leitores, com os filósofos de quem mais gostais, aqueles que vos tranquilizam, vos falam e vos convencem, só porque existem e porque o mundo não é tão mau como se diz. Não hesiteis: abeirai-vos daqueles que vos irritam mais, que vos deixam em cólera, cuja simples exitência vos parece quase impossível, dis quais suspeitais que é difícil descobrir a razão por que são tão diferentes de tudo o que podeis ser e sentir. Esses são ainda mais importantes." (20)
  • "Dir-se-ia que ela, a filosofia, tem sorte. Nunca o mundo foi tão difícil de pensar, ao mesmo tempo terrível e desconcertante [...] O se espera dela, após o descalabro das ideologias totalizantes, parece tão diverso e vital como o que se exige da democracia, sua irmã gémea, quando as ditaduras caem. Pede-se-lhe muito, à filosofia! Criar conceitos. Escorar saberes. Elaborar métodos. Extrair significações. Manter dúvidas. Forjar argumentações. São-lhe reclamados, juntos, invenção e rigor, largueza de vistas, preocupação do detalhe, fidelidade ao seu passado e gosto pela aventura." (25)
  • "Convoca-se a filosofia como último recurso, um último refúgio, num tempo desestruturado onde se agudizam os fanatismos e grassa a estupidez." (26)
  • "Longe de ser um lixo incómodo e irrisório, a aprendizagem individual da reflexão crítica é a condição não só da tolerância e do respeito pelos outros, mas também da resistência a todas as formas de fanatismo ou de opressão. Em suma, essa escola da razão que constitui a prática da filosofia, mesmo modesta e pouco científica, contribui para formar os cidadãos e para tornar mais viva a democracia." (27)
  • "... a difusão das filosofias, a convivência com as suas subtilezas de espírito, a sua presença nos estudos mais diversos e na formação permanente dos adultos são hoje apostas decisivas, cuja importância nem sempre é suficientemente percebida. / Os filósofos de profissão, no seu conjunto, são em parte responsáveis por essa indiferença. A situação é no mínimo paradoxal. Com efeito, o que se verifica é que raramente a necessidade de filosofia foi tão viva. Ao mesmo tempo que vacilam referências e significações, práticos vindos de disciplinas muito diversas... interrogam a longa tradição dos filósofos, procuram nas suas obras ferramentas conceptuais." (27)
  • "No seu conjunto, salvo raras excepções, a filosofia parece hoje mais preocupada em comentar o seu passado e menos em agarrar-se ao presente." (28)
  • "... o que não pode faltar, como condição mais fundamental, é um grande vagar. Nenhuma reflexão se pode constituir sem tomar as suas distâncias face às tarefas imediatas, às solicitações do momento e às convicções mais assentes. Neste sentido, os filósofos estão sempre vagos. O que os ocupa muito. Num certo sentido, é isso mesmo que os faz viver. A nossa época mal começa a descobrir, ainda espantada por esta simples evidência reencontrada, que a filosofia tanto pode ser maneira de viver como construção de discurso." (29)

filosofia e felicidade




BOSCH, Philippe von den
A Filosofia e a Felicidade. Trad. Madalena Poole da Costa. Lisboa: Instituto Piaget, 2001. (Pensamento e Filosofia; 68)

Introdução
Em Busca da Felicidade
I - A Concepção Comum da Felicidade e os seus Problemas
  • i.i - A Satisfação Total dos Desejos, Ideal da Sociedade de Consumo
  • i.ii - A Necessidade do Poder Absoluto (segundo os Sofistas)
  • i.iii - Origem e Valor dos Interditos Morais (segundo os Sofistas)
  • i.iv - Será o Desejo Naturalmente Bom?
II - A Infelicidade do Desejo

  • ii. i- O Desejo Provém da Carência (segundo o Banquete de Platão)
  • ii.ii - A Natureza do Prazer
  • ii.iii - O Desejo Incaciável
III - As Grandes Sabedorias
  • iii.i - O Epicurismo
  • iii.ii - A Negação de Todo o Desejo ou o Budismo
  • iii.iii - O Amor do Destino, ou o Estoicismo
  • iii.iv - O Domínio das Paixões da Alma (segundo Descartes)
IV - Ontologia do Desejo
  • iv.i - A Sublimação do Desejo (segundo Freud)
  • iv.ii - O Mimetismo e o Desejo de Reconhecimento
  • iv.iii - O Amor e o Desejo de Absoluto (segundo Platão)
V - A Sabedoria Suprema
  • v.i - A Actividade da Felicidade (segundo Aristóteles)
  • v.ii - O Problema da Existência de Deus
  • v.iii - A Felicidade Espiritual
Posfácio - Actualidade e Devir da Filosofia
  • "A filosofia é, para muitos de nós, uma disciplina bastante estranha e obscura. Tem todavia um objectivo muito simples e que deveria interessar à grande maioria, pois a sua vocação primeira é preocupar-se com a felicidade dos homens. De facto, como todos sabemos, filosofia quer dizer em grego «amor pela sabedoria» e a sophia, a sabedoria, no seu sentido original, não é senão o método da felicidade. Ensina-nos receitas para ser feliz. O filósofo é, portanto, em primeiro lugar, aquele que tenta descobrir e elaborar uma sabedoria, quer dizer, um saber que indica os verdadeiros meios para se atingir a felicidade." (15)
  • "... a felicidade é uma coisa pessoal, cada um tem a sua felicidade própria, diferente da felicidade dos outros. Não se pode, portanto, dar uma definição universal de felicidade. Este argumento é nominalista., ou seja, reconhece a exist~encia de um nome geral, o termo felicidade, mas nega que a esse termo corresponda uma realidade única, ou mesmo simplesmente uma ideia geral no espírito humano. Mas este argumento é também especioso; é certo que, num determinado sentido, a felicidade de cada um é diferente...; todavia, existe qualquer coisa de comum a todas estas diferentes felicidades, que faz com que se designem todas legitimamente pelo mesmo termo de felicidade: existe um conjunto de caracteres comuns a todos os estados de felicidade procurados pelos indivíduos, que constitui aquilo a que os filósofos chamam a «essência» da felicidade." (17)
  • "Em vez de perseguir a felicidade de uma maneira totalmente irreflectida, como faz a maioria dos homens, convém pelo contrário fazer um esforço de pensamento para saber primeiro o que é exactamente a felicidade, como atingi-la, e principalmente assegurar-se de que ela é acessível." (22)

sábado, 9 de outubro de 2010

aníbal pinto de castro (1938-2010)

Faleceu, ontem durante a madrugada, com 72 anos de idade, Aníbal Pinto de Castro, Director da Casa-Museu de Camilo e do Centro de Estudos Camilianos, instituições famalicenses que se radicam em S. Miguel de Seide. A última vez que o encontrei, em Seide, no Centro de Estudos Camilianos, chegamos a falar de Bernardino Machado, Camilo, entre outros, dizendo-me que estavamos perante uma "geração fantástica". Homem da cultura e da literatura portuguesa, professor jubilado da Faculdade de Letras de Coimbra, foi várias vezes homenageado pela Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, tendo sido a última em 2008 com o galardão de "Cidadão Honorário". Os recortes dos jornais que aqui coloco são desse ano, do jornal famalicense "Cidade Hoje". Nesse mesmo ano, anuncia Pinto de Castro a oferta da sua biblioteca camiliana à Casa-Museu de Camilo. V. N. de Famalicão ficava, e fica, assim mais rico com outro espólio, juntando, no caso camiliano, o de Manuel Simões e de Alexandre Cabral, para além de outros espólios já existentes em V. N. de Famalicão. Coloco aqui as capas dos seus livros publicados em Famalicão, relativamente um sobre Camilo e um outro sobre Ana Plácido, o melhor dos textos que se escreveu sobre ela. Dou também a conhecer um texto de Aníbal Pinto de Castro sobre as questões literárias.


























mistérios de lisboa



Jornal de Notícias (9 Out. 2010), p. 38


  • "Tentar fazer um romance é um desejo inocente. Baptizá-lo com um título pomposo é um pretextto ridículo. Apanhar uma nomenclatura, estafada e velha, inculpida no frontispício de um livro, e ficar orgulhoso de ter um padrinho original, isso, meus caros leitores, é uma patranha de que eu não sou capaz. / Este romance não é meu filho, nem meu afilhado. / Se eu me visse assaltado pela tentação de escrever a vida oculta de Lisboa, não era capaz de alinhavar dois capítulos de jeito. O que eu conheço de Lisboa são os relevos, que se destacam nos quadros de todas as populações, com foro de cidades e de vilas. Isso não vale a honra do romance. Recursos de imaginação, se os eu tivera, não viria consumi-los aqui em uma tarefa inglória. E, sem esses recursos, pareceu-me sempre impossível escrever os mistérios de uma terra, que não tem nenhuns, e, inventados, ninguém os crê. / Enganei-me. É que eu não conhecia Lisboa, ou não era capaz de calcular a potência da imaginação de um homem. Cuidei que os horizontes do mundo fantástico se fechavam nos Pirinéus, e que não podia ser-se peninsular e romancista, que não podia ser-se romancista sem ter nascido Cooper ou Sue. Nunca me contristei desta persuasão. Antes eu gostava muito de ter nascido na terra dos homens verdadeiros, porque, peço me acreditem, que os romances são uma enfiada de mentiras desde a famosa Astreia de Urfé, até ao choramingas de Lamartine. / Por consequência, diz o circunspecto leitor, vou-me preparando para andar à roda em um sarilho de mentiras. / Não, senhor. Este romance não é um romance: é um diário de sofrimento, verídico, autêntico e justificado."





ateísmos




UM MUNDO SEM DEUS
Um Mundo sem Deus: ensaios sobre o ateísmo. Dir. Michael Martin; Trad. Desidério Murcho. Lisboa: Edições 70, 2010.

I - Enquadramento
  • Jan N. Bremmer - "O Ateísmo na Antiguidade".
  • Gavin Hyman - "O Ateísmo na História Moderna".
  • Phil Zuckerman - "Ateísmo: números e padrões contemporâneos".
II - Alegações Contra o Ateísmo
  • William Lane Craig - "Críticas Teístas ao Ateísmo".
  • Richard M. Gale - "O Insucesso dos Argumentos Teístas Clássicos".
  • Keith Parsons - "Alguns Argumentos Teístas Contemporâneos".
  • Evan Fales - "Naturalismo e Fisicismo".
  • Daniel C. Dennett - "Ateísmo e Evolução".
  • David O. Brink - "A Autonomia da Ética".
  • Andrea M. Weisberger - "O Argumento do Mal".
  • Quentin Smith - "Argumentos Cosmológicos Kalam a Favor do Ateísmo".
  • Patrick Grim - "Argumentos da Impossibilidade".
III - Implicações
  • Michael Martin - "Ateismo e Religião".
  • Christine Overall - "Feminismo e Ateísmo".
  • Steven G. Gey - "Ateísmo e Liberdade Religiosa".
  • John D. Caputo - "Ateísmo, A/Teologia e a Condição Pós-Moderna".
  • Stewart E. Guthrie - "Teorias Antropológicas da Religião".
  • Benjamin Beit-Hallahmi - "Ateus: um retrato psicológico".

da bondade


DALAI LAMA
A Bondade do Coração: uma perspectiva budista sobre os ensinamentos de Jesus. 3.ª ed. Introd. Laurence Freeman; Trad. inglesa do tibetano e notas Geshe Thupten Jinpa; Pref. Robert Kiely; Trad port. Filipe Valente Rocha. Porto: Asa Editores, 2002.
  • I - Desejo de Harmonia
  • II - Amai os vossos inimigos (Mateus, 5, 38-48)
  • III - O Sermão da Montanha: as bem-aventuranças (Mateus, 5, 1-10)
  • IV - Equanimidade (Mateus, 3, 31-35)
  • V - O Reino de Deus (Mateus, 4, 26-34)
  • VI - A Transfiguração (Lucas, 9, 28-36)
  • VII - A Missão (Lucas, 9, 1-6)
  • VIII - Fé (João, 12, 44-50)
  • IX - A Ressurreição (João, 20, 10-18)
  • Laurence Freeman - "O Contexto Cristão das Leituras dos Evangelhos em A Bondade do Coração".
  • Thupten Jinpa - "O Contexto Budista".
  • "Este livro é uma exploração dos Evangelhos feita pelo Dalai Lama e pelos oradores do Seminário John Main em 1994. para além de dar testemunho do que aconteceu nesse Seminário, este livro foi acrescido de textos sobre as tradições budista e cristã, de modo a valorizá-lo como um instrumento para futuros diálogos inter-religiosos. / O corpo principal de A Bondade do Coração está organizado à volta de passagens dos Evangelhos, sobre as quais o Dalai Lama tece comentários. Cada capítulo começa com a leitura e o comentário de Sua Santidade de uma passagem particular de um Evangelho." (Nota do editor)