
"Os livros são as melhores provisões que encontrei para esta humana viagem." (Montaigne)
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
roteiros
domingo, 22 de agosto de 2010
erasmo e o feminino
Este mundo louco do ser humano...
A mulher é um animal louco como nenhum, inepto, ridículo e delicioso que no convívio doméstico atenuaria a tristeza do engenho viril com a loucura feminina. E claro, quando Platão parece hesitar em incluir a mulher entre os animais racionais, nada mais pretende do que indicar a loucura ínsigne desse sexo. Quando por acaso uma mulher quer passar por sábia, não faz mais do que dizer que é duas vezes louca... Não porcedamos, pois, contra a natureza; o vício fica gravado quando dissimulado de virtude, por maior que seja o engenho. É bem justo o provérbio grego: um macaco é sempre um macaco, ainda que vestido de púrpura. Assim também a mulher é sempre mulher, quero dizer sempre louca, ainda que ponha uma máscara. / As mulheres não me podem levar a mal que lhes atribua a loucura, porque eu também sou, além de mulher, a própria Estultícia. Vendo bem as coisas, devem ser gratas à Estultícia que lhes permite serem muito mais felizes do que os varões. Têm graça da formosura, mérito que antepõe a todas as coisas, e que lhes serve para tiranizarem os próprios tiranos. O varão tem as formas rudes, a cútis híspida, a barba selvagem, e tudo isto o envelhece embora signifique sabedoria; as mulheres, com as faces sempre macias, a voz sempre doce, a pele sempre lisa, têm a seu favor os atributos da juvência perpétua. Por que optam elas nesta vida, senão por agradar da melhor maneira aos varões? Não é essa a razão de tantos cuidados, enfeites, banhos, perfumes, penteados, cosméticos, cremes, pinturas, de tanta arte no embelezamento do rosto e dos olhos? Não é a Loucura a deusa que lhes entrega da melhor maneira os varões submsissos? Que é que eles não prometem às mulheres, e que é que eles não lhes permitem? E tudo isto em troca de quê, senão da voluptiosidade? Quem permite todas estas delícias é a estultícia.Erasmo
sábado, 21 de agosto de 2010
borges e a literatura
Quain costumava argumentar que os leitores eram uma espécie já extinta. Não há europeu (suscitava) que não seja um escritor, em potência ou em acto. Também afirmava que das diversas felicidades que a literatura pode ministrar, a mais alta era a invenção. Já que nem todos são capazes dessa felicidade, muitos terão de se contentar com simulacros. (81)Jorge Luís Borges
Tal como já não há leitores, não há literatura...
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
eric rohmer (1920-2010)
- "Não vou dizer tudo nesta história. Aliás, não há história, mas uma série, uma escolha de episódios banais, acontece sempre na vida, e que não têm outro sentido senão o que me apeteceu dar-lhes." (65)

- Cineasta, crítico de cinema (uma das figuras importantes da Nouvelle Vague do cinema francês do pós-guerra), tendo sido, igualmente, o editor dos famosos "Cadernos de Cinema" e escritor. Escreveu apenas estes "Seis Contos Morais" para uma relação profícua entre a literatura e o cinema. Simplesmente, vale a pena a ler: é um reencontro com a literatura.
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