"Os livros são as melhores provisões que encontrei para esta humana viagem." (Montaigne)
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
josé saramago

JRS - Há uma faceta da sua escrita que é pouco explorada nas conversas que tiveram consigo, que é a questão da tradução - um tradutor é também, de certo modo, um escritor. E o senhor traduziu mais de sessenta obras. Escrever a ficção dos outros ajudou-o a tornar-se melhor escritor?
Saramago - Não, não ajuda nada! Ou tens a tua própria voz ou então não é o tempo que estás ocupado com uma voz alheia, o tempo que dura uma tradução, que te vai influenciar. Não, não é. Podes admirar aquilo que estejas a traduzir: o texto, o romance, o conto ou o que quer que seja. Mas não ao ponto de dizeres: vou fazer disto o meu modelo. Isso nunca me aconteceu.
JRS - Quando estamos a ler uma obra traduzida, estamos a ler o autor ou o tradutor?
Saramago - Eu creio que antes que chegue a essa tradução, já houve outra coisa que é a do próprio autor. O autor é um tradutor.
JRS - Em que sentido?
Saramago - Em que sentido? É alguém que traduz um sistema de sinais: emoções, pensamentos, eonhos, devaneios. Isso é um trabalho de tradução, porque tudo isso constitui uma linguagem que, se não encontrar uma forma comunicável de transmissão, fica cá dentro da cabeça de cada um de nós.
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José Saramago
domingo, 31 de julho de 2011
pensar a república e portugal
"Apesar do período de 1910 a 1926 permanecer como um tema remoto às preocupações das novas gerações e de já não surgir como um simbolismo ao contrário do significado que teve para as gerações que vivenciaram o regime político que precedeu o actual, a história da República permanece uma ssunto controverso. Isto deve-se, e, parte, ao facto de que, independentemente das consequências da República, os seus esforços representaram a primeira tentativa do país para um governo mais democrático e representativo."
II - Uma Monarquia sem ,omárquicos
III - Republicanização
IV - O 5 de Outubro
V - A jovem República: os primeiros passos, Outubro de 1910-Janeiro de 1913
VI - A República democrática- Janeiro de 1913 a Dezembro de 1917
VII - Guerras e revoluções. Janeiro de 1915 a Dezembro de 1917
VIII - O presidente Sidónio Pais e a República Nova, 1917-1918
IX - A República imóvel: a política parada
X - A honra do Exército
XI - No reino dos pronunciamentos. Dezembro de 1918-Abril de 1925
XII - A política do desespero. 18 de Abril de 1925-28 de Maio de 1926
XIII - O 28 de Maio
XIV - O que veio a seguir: da ditadura militar ao Estado Novo
XV - Conclusões
Apêndice A - Presidentes do Ministério, 1910-1933
Apêndice B - Presidentes da República, 1910-1933
Apêndice C - Lista seleccionada de organizações políticas
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Filosofia. Política. I República
quarta-feira, 27 de julho de 2011
antónio pina
o dito do não dito, o invisível que é visível em nós
no mundo no outro
O Livro dos Saberes Práticos

O livro
E quando chegares à dura
pedra de mármore não digas: «Água, água!»,
porque se encontraste o que procuravas
perdeste-o e não começou ainda a tua procura;
e se tiveres sede, insensato, bebe as tuas palavras
pois é tudo o que tens: literatura,
nem sequer mistério, nem sequer sentido,
apenas uma coisa hipócrita e escura, o livro.
Não tenhas contra ele o coração endurecido,
aquilo que podes saber está noutro sítio.
O que o livro diz é não dito,
como uma paisagem entrando pela janela de um quarto vazio.
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Literatura
segunda-feira, 25 de julho de 2011
alain tourraine

"Em que é que a liberdade, a felicidade pessoal ou a satisfação das necessidades são racionais? Admitamos que a arbitrariedade do Príncipe e o respeito por costumes locais e profissionais se opõem à racionalização da produção e que esta exige que as barreiras caiam, que a violência recue e que seja instaurado um Estado de direito. Contudo, isso nada tem a ver com a liberdade, a democracia e a felicidade individual, como bemo sabem os Franceses, cujo Estado de direito foi constituído com a monarquia absoluta. Que a autoridade racional legal esteja associada à economia de mercado na construção da sociedade moderna não é suficiente, nem de perto nem de longe, para demonstrar que o crescimento e a democracia estão ligados entre si pela força da razão. Eles estão-no pela sua luta comum contra a tradição e o arbítrio, portanto, pela negativa, e não de uma maneira positiva. A mesma crítica é válida para a suposta ligação entre a racionalização e a felicidade, e com a legitimidade redobrada. A libertação dos controlos e das formas tradicionais de autoridade permite a felicidade, mas não a assegura; ela apela à liberdade mas, ao mesmo tempo, submete-a à organização centralizada da produção e do consumo. A afirmação de que o progresso é a marcha em direcção à abundância, à liberdade e à felicidade, e que estes três objectivos estão fortemente ligados entre si, não passa de uma ideologia constantemente desmentida pela História."
Alain Tourraine
I - As luzes da razão
II A alma e o direito natural
III O sentido da história
A MODERNIDADE EM CRISE
I A decomposição
II A destruição do Eu-mesmo
III A nação, a empresa, o consumidor
IV Os intelectuais contra va modernidade
V Saídas da modernidade
NASCIMENTO DO SUJEITO
I O sujeito
II O sujeito como movimento social
III Eu não sou Eu-mesmo
IV A sombra e a luz
V O que é a democracia?
Pontos de chegada
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Filosofia
sábado, 23 de julho de 2011
artur coimbra
depois do seu primeiro livro de poesia com o título "o prisma de poeta", o meu caro amigo dr. artur coimbra, como já se antevisa, para além da sua actividade de historiador, é poeta. a cada passo no seu blog, http://saladevisitasdominho.blogspot.com lá vai publicando um outro texto poético. também é, para além de historiador e poeta, coordenador do boletim cultural da autarquia fafense, e que se chama "dom fafes". director do núcleo de artes e letras de fafe, chegou a publicar, no âmbito desta associação fafense, a revista "perfil", assim como uma outra, "nascentes plurais". registo um poema retirado da "máquina da liberdade":

depois de amanhã levo a rosa
deposito-a em teus lábios ao cair da tarde
escrevo com o poema um grito de maio
no chegar manso da noite a rosa
levada ao calor da boca
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Literatura. Poesia. Cultura
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