quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

a república em torres novas

Exposição e catálogo organizado(a) pelo Museu Municipal Carlos Reis, de Torres Novas. A exposição tem documentação essencialmente oriunda de fundos privados.


I
Referências da Proclamação da República em Torres Novas
II
Torres Novas e o Centenário do 5 de Outubro - Catálogo
III
Os Rostos do 5 de Outubro
Ruy de Bivar Pinto Lopes, Pedro Gorjão Maia Salazar, Augusto Moita de Deus, Francisco Antunes dos Santos Trincão, José Lopes dos Santos, Manuel Simões Serôdio, Manuel Simões Serôdio, António Pinto de Magalhães e Almeida, Manuel Antunes Grácio e José Antunes Grácio, Sebastião Dantas de Souza BarachoJosé Luiz dos Santos Moita, José Maria Dantas de Sousa Baracho Junior
IV
Extra-Catálogo
Objectos, Jornais, Cartazes e Iconografia, Selos, Documentos



carlos pinto coelho na última entrevista à rtpn

a minha homenagem a um defensor e a um divulgador do livro! o seu programa "acontece" durou nove anos, caso único e imparável na divulgação do livro e da cultura portuguesa.

Artes & Espectáculos - Carlos Pinto Coelho na última entrevista à RTP - RTP Noticias, Vídeo

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dos dias

a personagem feminina alice bergstrom do livro de paul auster "sunset park" lamenta que os homens do pós-guerra nada digam, enquanto que os da sua geração falam pelos cotovelos, impondo a si próprios e aos outros. é esta a ideia que fica. escrevo no fim do capítulo, no próprio livro o seguinte. do que se fala e do que se não fala, do que se diz e do que se não diz, nada se fala e nada se diz. onde ficar? há minha frente, o cliente habitual, leitor dos jornais, a falar de deus e da bíblia e da igreja com um atento ouvinte e paciente. ao fundo, umas meninas conversando e rindo, da vida, possivelmente, um só, que lancha pacatamente e animadamente, mais perto, uma senhora, que lia, não reparei na capa do livro nem no autor, duas, porque não, apesar de idades diferentes, conversam possivelmente também da vida, talvez a mais nova a ouvir algum conselho, quem sabe, e ao meu lado, uma menina folheando já nervosamente uma revista, possivelmente há espera da vida, que não chega. onde ficamos? ao fundo, pausas. no essencial? de deus, da vida, o essencial. e hoje, julgo já que ontem, ou ante-ontem, chegou ao museu a "revista de história da biblioteca nacional", do rio de janeiro. tema de capa: as profecias. claro, lá tinha que falar do nosso p. antónio vieira. dois textos sobre a implantação da república portuguesa: um exclusivo e dedicado a bernardino machado. apesar de não falar do museu, foca o endereço on-line. já não é mau. pode ter o seu autor, caio boschi, algumas afirmações que não se coadnuem à verdade. como esta: dizer que bernardino machado não participou na "articulação política" do ideário republicano. é um erro! e depois nem sequer evidenciou o facto da dupla nacionalidade de bernardino machado: carioca sim, mas cidadão português, registando-se na câmara municipal de vila nova de famalicão aos 21 anos. cidadão brasileiro e cidadão português. monárquico e republicano. as polémicas de sempre. fora destas polémicas, vale a pena ler este depoimento do próprio machado: mais do que duplicidade, a unicidade. palavras retiradas da sua conferência no centro democrático de lisboa, em 4 de agosto de 1906, abrindo a campanha eleitoral. encontra-se no livro "o neo-liberalismo da monarquia".

"Vim da monarquia. Não solicitei do Partido Republicano nada, nem a inscrição do meu nome nos seus cadastros; mas tanto me identifiquei com ele, que todas as considerações ele me tem dispensado, até me elevar ultimamente à suprema dignidade de membro do seu directório. E não precisei para isso de quebrar a minha personalidade moral por quaisquer complacência. Continuo a ser o que sempre fui, um homem de ordem, de paz, a quem repugnam todas as violências, que quer o respeito de todos os direitos, e respeita no fundo de todos eles o direito de viver, mas decidido a caminhar sempre e ir sempre para a frente, custe o que custar, sem ódios, sem ameaças, mas também sem desfalecimentos, inexoravelmente, até à última extremidade aonde seja necessário ir para defender a liberdade, porque só ela é a ordem, a paz e a segurança de todos os direitos. Eu que, em monárquico, combati tantas vezes não só os meus adversários monárquicos, ams também os meus próprios correligionários e até colegas meus do ministério, eu que me esforço por ser bom, mas não à custa da minha independência, nem à custa de ninguém... eu não estou passivamente dentro do Partido Republicano, deixando-me arrastar pela onda que passa, eu luto e lutarei sempre dentro dele, contra o mal - que, seja quais forem as formas que revista, é sempre a ditadura, o desmancho dos chefes - porque não é só na sociedade portuguesa que os dirigentes valem muito mais que os dirigidos, também no Partido Republicano, apesar de todo o meu apreço por tantos seus dirigentes, que são os grande smestres da democracia, as virtudes cívicas brilham para mim sobretudo no povo republicano. A superioridade mesmo do nosso partido vem disso, de ser o único partido do povo."




ainda falta escrever um texto sobre o seu ideário republicano, entre o positivismo e o utilitarismo para o ideal de cooperação social na busca prometaica. na monarquia liberal, conservador liberal ou liberal conservador e, perante a fase preliminar da adesão ao republicanismo, a indecisão socialista. no republicanismo, um dos seus teóricos principais. muitas vezes, hoje não se fala do que se deve falar, há palavras fantasmas que vagueiam pelo ar, repletas de futilidades, sem nexo. do essencial não palavras.











Aurelino Costa e Victorino D'Almeida Parte 1/2

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

oliveira marques e a república

"Reúne-se esta colectânea um conjunto de artigos, conferências e prefácios a livros, escritos e proferidos entre 1966 e 1986. Todos eles conservam actualidade, embora os objectivos que nortearam alguns e, como consequência, a estrutura de base e o próprio estilo, se afastem um tanto do habitual escrito histórico. De facto, até 1974, fazer história da 1.ª República era um meio de combater a ditadura do «Estado Novo». Os artigos e as conferências redigidos até então, mesmo os mais positivos, têm o seu quê de polémico e de romântico, e exaltam sempre, nas entrelinhas, os homens, os ideais e a obra que se proscreveram em 1926."

Oliveira Marques



I
Para a História da 1.ª República
II
Republicanismo e Idealismo
III
Proletário e Burguesia
IV
Turquia e Portugal
V
Para a História das Eleições e da Constituição de 1911
VI
Correspondência Particular e Organização Militar em 1911
VII
Os Anos Vinte em Portugal
VIII
Ditadura e Oposição
IX
Magalhães Lima
X
Bernardino Machado
XI
Mont`Alverne de Sequeira
XII
Norton de Matos
XIII
Afonso Costa
XIV
Para o Estudo da Vida Parlamentar e da Oratória de Afonso Costa
XV
A Ideologia de Afonso Costa segundo as suas Intervenções Parlamentares
XVI
O Segundo Governo Afonso Costa
XVII
O Terceiro Governo Afonso Costa
XVIII
Jaime Cortesão e a Maçonaria (1920-1935)
XIX
Sérgio no Exílio (1927-1928)
XX
Fundos de Arquivo e Fontes Diversas

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

abel barros baptista


abel barros baptista é um dos ensaístas portugueses contemporâneos que mais prezo. e, claro, cito-o. principalmente em "literatura e filosofia em camilo". os seus ensaios, fulgurantes, abrem, têm aberto, para novas interpretações da literatura. com uma escrita original. as suas crónicas na "ler", as que mais leio, estão repletas de um humor e de uma ironia do mundo do literário. dele tenho estes quatro livros. para além destes, já publicou "camilo e a revolução camiliana" (1988), "em nome de apelo ao nome" (1991), "ensaios facetos" (2004) e "o livro agreste" (2005).




  • "Quem se ocupa de livros depara de vez em quando com a distinção entre escritores que são "homens do livro" e escritores que são "homens da vida"; e ler, em casa, o livro de um reputado "homem da vida", que não perdeu cor nem vigor em bibliotecas, antes matou touros ou naufragou no Pacífico, é por certo experiência de sobressalto."
  • "... dois modos de ler, um que procura extrair o sentido enquanto dado do texto dele separável, outro entendido como efeito que deve ser experimentado."







  • "Não é leitor quem não arrisca, e a experiência do risco começa na aquisição do livro."

  • "Nunca há livros a mais, há sempre livros a menos."





  • "... a questão de saber o que acontece ao livro - à noção de livro em geral e à possibilidade de uma noção de livro em geral - quando o romance se constitui livro, ou que faz o romance com o livro quando recebe a herança do livro."





  • "... a ironia, aceitando que nela se diz sempre mais do que é dito e, sobretudo, mais do que aquilo que se quis dizer."


domingo, 12 de dezembro de 2010

seide, ponto do universo


"Quando se escreviam bacamartes para as gerações sofredoras, que os leram, o sábio repunha aí em azedo vómito as indigestas massas, que ainda agora resistem ao dente roaz da carcoma e da ratazana, nos lotes esboreados das bibliotecas. / O in-fólio era uma crança, um a religião, uma faculdade daquelas gordas almas, que ressumavam pingue chorume por três mil páginas em tipo-breviário. / Não vos faz melancolia ver a lombada desses enormes volumes aprumados numa estante? Não há naquele aspeito triste alguma coisa que vos faz crer que o in-fólio chora pelo frade? / Agora não se escreve daquilo, posto que o saber humano seja mais vasto, e opulentado com as vigílias de dois séculos laboriosos. Reina o romancista, que é o sucessor do frade, na ordem das inteligências produtivas. Ora, o romancista há-de, por força, de sua natureza científica, despejar no romance a ciência que lhe traz entumecido o estômago intelectual; e o romance, assim, deixará de ser lido, se o conselho superior de instrução pública não organizar os estudos de modo a que as ciências transcendentes, em consórcio com a natureza física, desbravem o espírito-charneca de muito leitor sandio..."
Camilo, O Que Fazem Mulheres