quarta-feira, 10 de novembro de 2010

holderlin


  • i)
    "Cada um de vós é um mundo, como estrelas do céu
    Vós viveis, um deus cada qual..."
  • ii)
    "Porque aqueles que nos dão o fogo celeste,
    Os deuses, também nos dão a dor sagrada.
    Por isso esta fique. Filho da terra
    Pareço eu: feito para amar, para sofrer."



  • iii)

"Estar assim sózinho com os Celestes, e,

Se passa a luz e a tempestade e o vento, e

O tempo se apressa ao seu termo, ter perante eles

Um olhar firme,

Nada mais feliz sei ou desejo..."

  • iv)

"Inda há muito, muito de grande a descobrir, e quem

Assim amou, vai - tem de ir! - pela estrada dos deuses.

E acompanhai-me vós, horas sacrais! vós, graves,

Juvenis! Pressentimentos santos, ficai vós connosco,

Preces devotas! e vós, entusiasmos, e vós todos,

Boms génios, que gostais de acompanhar os que amam;

Ficai connosco até nos encontrarmos no solo comum,

Lá onde os venturosos todos descem de bom grado,

Lá onde as águias estão, os astros, os mensageiros do Pai

E as Musas, lá donde vêm os heróis e os amantes,

Lá, ou aqui mesmo, sobre uma ilha orvalhada

Onde os nossos esperam, flores reunidas em jardins,

Onde os cantos são verdade, e as Primaveras são mais tempo

belas,

E de novo um ano da nossa alma começa!"

  • v)

"... tu disseste-me: Também aqui há deuses e reinam,

Grande é a sua medida, mas o homem só gosta de medir a

palmo."

  • vi)

"Decerto vivem os deuses,

Mas lá em cima, noutro mundo, por sobre as nossas cabeças.

Infidamente ali agem e pouco parece importar-lhes

Se nós vivemos ou não, tanto os Divinos nos poupam.

Pois nem sempre consegue um vaso fraco prendê-los,

Só de tempo a tempo o homem suporta plenitude divina.

E a vida é depois sonhar com eles.



"A poesia não é nenhum jogo, a relação com ela não é o descanso jocoso que faz com que uma pessoa se esqueça de si própria, mas o despertar e a concentração da essência mais íntima do indivíduo, pela qual ele recua ao fundo do seu ser-aí. Se cada indivíduo vier de lá, a verdadeira concentração dos indivíduos numa comunidade primordial já antecipadamente aconteceu. A interligação grosseira de muitos numa pretensa organização é apenas uma medida provisória, mas não a essência."
Heidegger

t. s. eliot



i)
Porque eu não espero voltar a conhecer
A glória enferma da hora positiva
Porque eu não penso
Porque eu conheço que não conhecerei
O único poder transitório verdadeiro
Porque eu não posso beber
Ali onde estão árvores, e onde há fontes, porque
nada existe uma outra vez



ii)
Porque eu sei que o tempo é sempre tempo
E o lugar é só e sempre só lugar
E o que é real só uma vez o é
E só nesse lugar
Alegro-me que as coisas sejam como são e
Renuncio ao rosto abençoado
E renuncio à voz
Porque eu não espero voltar mais
Isso me alegra já que tenho de ter algo
Que me alegre.


iii)
Se a última palavra se perde, se a palavra dita é dita
Se a palavra não ouvida, não falada,
Se a palavra não falada, não ouvida;
Tranquila é a palavra não dita, a Palavra de dentro
O mundo e para o mundo;
E a luz brilhou na escuridão e
Contra o Mundo o mundo inquieto ainda andava à roda
À volta do centro da Palavra silenciosa.




iv)
O tempo presente e o tempo passado
Estão talvez presentes, no tempo futuro
E o tempo futuro contido no passado.
Se todo o tempo está eternamente presente,
Todo o tempo é irrecuperável.
v)
O que chamamos o começo é muitas vezes o fim
E fazer um fim é fazer um começo.
O fim é donde começamos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

direcção-geral do livro e das bibliotecas

E, uma vez mais, a escrever estas linhas no Casal (só falta uma fotografia, amanhã tiro, fica na antiga Eléctrica), com Armstrong pelo ar, no fim de mais um dia de trabalho, um dia con aguaceiros intercalares, as nuvens viajando negras... A imprensa portuguesa, já ontem tinha assistido na RTPn a um debate a propósito da actividade política portuguesa, no qual surgiu o relatório da Conferência Episcopal Portuguesa, apresentado pelo seu presidente D. Jorge Ortiga. O relatório não abona a favor da actividade política, melhor, da actividade dos políticos portugueses, não estando em causa o bem comum, faltam há verdade perante a cidade, mas através de "consensos mínimos" pluripartidários geram os seus próprios interesses, não os da nação. Pelo menos, é a conclusão a que se chega, não muito longe do que escrevi neste blog aqui há uns dias. E num dia em que a dívida pública portuguesa atingiu quase os 7% (quando passo estas linhas para o blog, os noticiários já anunciavam que tinha atingido o respectivo número), em que a OCDE anuncia que Portugal, no ranking dos seus trinta países, ocupa o quinto lugar na órbita do desemprego com 10, 6%, em Setembro, o que deixa muitas dúvidas, ao mesmo tempo a imprensa anuncia que o escritor Houllebecq com o livro La Carte et le Territoire, causando já alguma polémica entre elementos do júri, e pelo que li nas notícias é uma espécie de autobiografia desencantada, ganha o Goncourt de 2010.





Polémica futura será concerteza a intenção do governo de extinguir a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, organismo criado em 2007, sucedendo ao IPLB, com serviços relevantes prestados à cultura e, especialmente, ao livro, como é o caso das bibliotecas municipais incorporadas na Rede de Leitura Pública. Aliás, esta história da leitura pública em Portugal poderá ser lida no livro de Henrique Barreto Nunes intitulado "Da Biblioteca ao Leitor", dos poucos, que existem em Portugal, nesta área tão relevante em Portugal, muito havendo, contudo, ainda hoje por se concretizar nas mesmas bibliotecas de leitura pública, estas actualmente com os seus pólos e com a rede escolar municipal. Com a medida da extinção anunciada do mesmo organismo, a ser incorporado na Biblioteca Nacional, a qual tem criado alguma polémica pela forma como fecha alguns serviços sem avisos prévios aos investigadores portugueses, só vem criar indefesas ao livro e à leitura pública em Portugal. O livro e a cultura em Portugal, para a evolução mental da sociedade portuguesa, continua a ser um desperdício para os políticos. E agora com o aumento do IVA, o livro ficará a ser cada vez mais um luxo, do que propriamente um prazer, elevando-nos a leitura para um mundo que não este. O ser humano para a sua sobrevivência própria necessita deste imaginário. A partir de agora será uma "leitura preçária", mesmo interessando-me o tema: pega-se no livro e volta-se a colocar na estante! É frustrante!!!! E, claro, quando assinei a petição online, a subscrever o manifesto da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas contra a sua respectiva extinção, já havia mais de 800 assinaturas!









segunda-feira, 8 de novembro de 2010

seide, ponto do universo

Para o amigo Zé Armando, mais esta referência de Camilo sobre Requião e a sua festa-romaria de excelência, Santa Luzia, esta citação manuscrita dos "Ecos Humorísticos do Minho", publicado em 1880. Já não me lembro de onde retirei o desenho! No caderno não estava a referência. Estrela do Minho?!



REQUIÃO
SANTA LUZIA