quarta-feira, 10 de novembro de 2010

t. s. eliot



i)
Porque eu não espero voltar a conhecer
A glória enferma da hora positiva
Porque eu não penso
Porque eu conheço que não conhecerei
O único poder transitório verdadeiro
Porque eu não posso beber
Ali onde estão árvores, e onde há fontes, porque
nada existe uma outra vez



ii)
Porque eu sei que o tempo é sempre tempo
E o lugar é só e sempre só lugar
E o que é real só uma vez o é
E só nesse lugar
Alegro-me que as coisas sejam como são e
Renuncio ao rosto abençoado
E renuncio à voz
Porque eu não espero voltar mais
Isso me alegra já que tenho de ter algo
Que me alegre.


iii)
Se a última palavra se perde, se a palavra dita é dita
Se a palavra não ouvida, não falada,
Se a palavra não falada, não ouvida;
Tranquila é a palavra não dita, a Palavra de dentro
O mundo e para o mundo;
E a luz brilhou na escuridão e
Contra o Mundo o mundo inquieto ainda andava à roda
À volta do centro da Palavra silenciosa.




iv)
O tempo presente e o tempo passado
Estão talvez presentes, no tempo futuro
E o tempo futuro contido no passado.
Se todo o tempo está eternamente presente,
Todo o tempo é irrecuperável.
v)
O que chamamos o começo é muitas vezes o fim
E fazer um fim é fazer um começo.
O fim é donde começamos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

direcção-geral do livro e das bibliotecas

E, uma vez mais, a escrever estas linhas no Casal (só falta uma fotografia, amanhã tiro, fica na antiga Eléctrica), com Armstrong pelo ar, no fim de mais um dia de trabalho, um dia con aguaceiros intercalares, as nuvens viajando negras... A imprensa portuguesa, já ontem tinha assistido na RTPn a um debate a propósito da actividade política portuguesa, no qual surgiu o relatório da Conferência Episcopal Portuguesa, apresentado pelo seu presidente D. Jorge Ortiga. O relatório não abona a favor da actividade política, melhor, da actividade dos políticos portugueses, não estando em causa o bem comum, faltam há verdade perante a cidade, mas através de "consensos mínimos" pluripartidários geram os seus próprios interesses, não os da nação. Pelo menos, é a conclusão a que se chega, não muito longe do que escrevi neste blog aqui há uns dias. E num dia em que a dívida pública portuguesa atingiu quase os 7% (quando passo estas linhas para o blog, os noticiários já anunciavam que tinha atingido o respectivo número), em que a OCDE anuncia que Portugal, no ranking dos seus trinta países, ocupa o quinto lugar na órbita do desemprego com 10, 6%, em Setembro, o que deixa muitas dúvidas, ao mesmo tempo a imprensa anuncia que o escritor Houllebecq com o livro La Carte et le Territoire, causando já alguma polémica entre elementos do júri, e pelo que li nas notícias é uma espécie de autobiografia desencantada, ganha o Goncourt de 2010.





Polémica futura será concerteza a intenção do governo de extinguir a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, organismo criado em 2007, sucedendo ao IPLB, com serviços relevantes prestados à cultura e, especialmente, ao livro, como é o caso das bibliotecas municipais incorporadas na Rede de Leitura Pública. Aliás, esta história da leitura pública em Portugal poderá ser lida no livro de Henrique Barreto Nunes intitulado "Da Biblioteca ao Leitor", dos poucos, que existem em Portugal, nesta área tão relevante em Portugal, muito havendo, contudo, ainda hoje por se concretizar nas mesmas bibliotecas de leitura pública, estas actualmente com os seus pólos e com a rede escolar municipal. Com a medida da extinção anunciada do mesmo organismo, a ser incorporado na Biblioteca Nacional, a qual tem criado alguma polémica pela forma como fecha alguns serviços sem avisos prévios aos investigadores portugueses, só vem criar indefesas ao livro e à leitura pública em Portugal. O livro e a cultura em Portugal, para a evolução mental da sociedade portuguesa, continua a ser um desperdício para os políticos. E agora com o aumento do IVA, o livro ficará a ser cada vez mais um luxo, do que propriamente um prazer, elevando-nos a leitura para um mundo que não este. O ser humano para a sua sobrevivência própria necessita deste imaginário. A partir de agora será uma "leitura preçária", mesmo interessando-me o tema: pega-se no livro e volta-se a colocar na estante! É frustrante!!!! E, claro, quando assinei a petição online, a subscrever o manifesto da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas contra a sua respectiva extinção, já havia mais de 800 assinaturas!









segunda-feira, 8 de novembro de 2010

seide, ponto do universo

Para o amigo Zé Armando, mais esta referência de Camilo sobre Requião e a sua festa-romaria de excelência, Santa Luzia, esta citação manuscrita dos "Ecos Humorísticos do Minho", publicado em 1880. Já não me lembro de onde retirei o desenho! No caderno não estava a referência. Estrela do Minho?!



REQUIÃO
SANTA LUZIA










domingo, 7 de novembro de 2010

uma leitura de aristóteles

É sempre difícil aconselhar uma leitura de um livro de Aristóteles, perante filósofo tão prolífero, rico e polémico. Nos tempos de hoje, e pela reinvenção da ética das virtudes, imprimida por Alasdair MacIntyer, recomendo a leitura da "Ética a Nicómaco", a qual será, de certeza absoluta, rica e apaixonante. Rica e apaixonante pelos temas que a leitura proporciona, os quais podem ser perfeitamente aplicáveis à realidade contemporânea, nomeadamente a questão e a problemática da felicidade, a qual, para Aristóteles, se encontra principalmente na contemplação, daí derivando a sabedoria, e, por outro lado, a felicidade só se atingirá no fim da vida, perante os actos e os seus fins ao longo da mesma; ou o caso da excelência ética, a questão do prazer e da amizade.





da minha biblioteca aristóteles




































aristóteles e a filosofia

... a filosofia é uma certa sabedoria, ou seja, um raciocínio proveniente da sabedoria
Aristóteles, Convite à Filosofia
" ... diremos que é prazerosa a vida cuja presença é prazerosa para aqueles que a possuem, e que vivem prazerosamente, não para todos aos quais há [simples] coincidência entre viver e gozar, mas sim para aqueles aos quais o próprio fato de viver é prazeroso e que gozam do prazer da vida. / É essa a razão pela qual atribuímos a vida ao indivíduo acordado em ves de àquele que está dormindo, e àquele que exerce a sabedoria em vez de àquele que dela é desprovido, já que também afirmamos que o prazer da vida é o prazer engendrado pelo uso da alma, pois é essa a verdadeira vida. / Por conseguinte, se há vários usos da alma, o mais soberano de todos é con certeza exercer a sabedoria o máximo possível. Portanto, está claro que o prazer engendrado pelo exercício da sabedoria e da contemplação é necessariamente, só ou a título principal, aquele que decorre da vida. Assim sendo, é só ou sobretudo aos filósofos que cabe viver prazerosamente e regozijar-se verdadeiramente. Na realidadea operação das intelecções mais verdadeiras, aquela que se nutre dos seres mais reais e que consrva sempre de modo permanente a perfeição recebida [de tais seres], é, de todas [as operações], a mais eficaz em relação à alegria. / E, caso seja preciso não apenas raciocinar a partir das partes da felicidade, mas também voltar a subir mais alto e estabelecer a mesma conclusão a partir da integridade dessa felicidade, digamos tão explicitamente que, da mesma forma que o ato de filosofar está relacionado com a felicidade, está também relacionado com o fato de que temos disposições sérias ou defeitos. Pois todas as coisas devem ser escolhidas pelo conjunto dos homens, umas porque levam à felicidade, outras porque são dela decorrentes; e, entre as coisas que nos fazem felizes, algumas são necessárias ao passo que outras, prazerosas. / Colocamos, portanto, como princípio que a felicidade é a sabedoria e uma espécie de saber, ou bem a virtude, ou ainda a maior alegria, ou até mesmo isso tudo junto." (Aristóteles, Convite à Filosofia).

epistemologia, metafísica e ontologia

"Um filósofo é um corpo que produz filosofia e o professor um corpo que a transmite."
Manuel Garrido

AJDUKIEWICZ, Kazimierz - Introduccion a la Filosofia: epistemología e metafísica. 3.ª ed. Trad. Alina Dlugobaska; Nota prel. Manuel Garrido. Madrid: Ediciones Catedra, 1994. (Teorema).


I
Teoria do Conhecimento
  • I.I - Os Problemas Clássicos da Teoria do Conhecimento
  • I.I.I - O Problema da Verdade
  • I.I.II - O Problema da Origem do Conhecimento
  • I.I.III - O Problema dos Limites do Conhecimento
  • I.I.IV - A Relação da Teoria do Conhecimento com outras Ciências Filosóficas
II
Metafísica
  • II.I - A Origem do Termo «Metafísica» e a Divisão dos Problemas
  • II.II - Ontologia
  • II.III - As Inferências Metafísicas a partir das Reflexões sobre o Conhecimento
  • II.IV - Os Problemas Metafísicos Originados pelas Investigações da Natureza
  • II.V - Os Problemas Metafísicos Originados pela Religião