quinta-feira, 13 de maio de 2010

bíblia

Hoje no "Público", nem de propósito com esta visita papal! A não perder.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

ratzinger, a minha homenagem

As primeiras leituras textuais de Ratzinger foram, e por ordem, "O Sal da Terra" e "A Igreja e a Nova Europa". Na altura, quando comprei este último disseram-me: "Gostas destas coisas?"; e eu: «Sim, claro, que gosto." Possivelmente disse mais alguma coisa, já não me lembro. Depois, com a sua eleição de Papa, os seus livros foram aparecendo. Estas duas primeiras leituras foram reveladoras, aliciantes e apaixonantes, assim como dos outros livros. Acima de tudo, clarividentes. Se aprecio a leitura heterodoxa, aprecio igualmente os canonizados da chamada teologia da libertação, por exemplo, caso de Khun. Este é um mero exemplo leitoral, já que divulgo aqui no blog os livros que tenho na garagem-biblioteca filosófica de Joseph Ratzinger. Poderia dar, como é lógico, outros exemplos. As leituras multidicisplinares, ortodoxas e heterodoxas em qualquer campo científico, e, em particular no filosófico, cria aquilo a que Chesterton designa de «ética saudável» (aplicando-a noutro sentido, no campo litúrgico): esta «ética saudável» aplico-a na riqueza para a nossa interioridade e de abertura de mundo, melhor, de mundos. Cito apenas esta frase de Ratzinger, retirada do livro "A Igreja e a Nova Europa":
"O que é grande e nobre é dado a priori como suspeito: tem de ser tirado do seu pedestal, e redimensionado. A moral é tida por hipocrisia, a felicidade, por auto-ilusão. Quem acredita com simplicidade na beleza e na bondade, ou é de uma culpável ingenuidade, ou tem objectivos ocultos. Suspeitar é tido pela mais perfeita atitude moral, que tem como melhor resultado o desmascarar."





















filosofia e terrorismo

Apesar de abordagens claramente diferenciadas em relação à filosofia, Habermas e Derrida parecem seguir o modelo de Arendt. Tal como Arendt, e ao contrário de Russell, não encaram o empenhamento político como um suplemento do empenho na filosofia, uma opção que pode ser assumida, adiada, ou até mesmo completamente rejeitada. Ambos encontraram e abraçaram a filosofia no contexto dos traumas da história europeia do século XX: colonialismo, totalitarismo e Holocausto. As suas contribuições para o tema do 11 de Setembro e do terrorismo global seguem o mesmo caminho.

Giovanna Borradori





segunda-feira, 10 de maio de 2010

boletim cultural póvoa de varzim

Agradeço a amável oferta do Dr. Manuel Costa, Coordenador e Técnico-Superior da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, não só a oferta destes dois boletins culturais da autarquia poveira e da biblioteca, como também das actas do colóquio dedicadas a Rocha Peixoto no Centenário do seu falecimento. Aqui dou notícia desta fantástica oferta e o trabalho exemplar que a autarquia e a própria biblioteca está fazendo, não só ao nível da cultura poveira, como também da cultura nacional, relacionando assim, com estas publicações, o local com o global. E isto porque a autarquia poveira e a autarquia famalicense são, possivelmente, dos únicos municípios do país que ainda publicam o seu "Boletim Cultural". Enquanto que o "Boletim Cultural" da Póvoa de Varzim completou 50 anos de vida em 2008, o de Famalicão faz este ano 30 anos! E depois com textos tão ricos e dos mais variados, a escolha de leitura é sempre difícil! Para mim, o artigo qe vai merecer a minha primeira atenção (assim como os outros, como é óbvio) de leitura vai ser o de Manuela Barreto Nunes. O Costa sabe porquê! Um abraço fraternal de amizade, caro Costa.





Maria da Conceição Nogueira - "Nota de Abertura", p. 5.

Carina Reina, Patrícia Moscoso - "Variações sobre um Tema-Figurado Barcelense: de Rocha Peixoto a Rosa Ramalho", pp. 7-45.

Filipe Leite - Faiança da Fábrica de Viana: colecção Rocha Peixoto no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim", pp. 47-63.

Deolinda Carneiro - "Rocha Peixoto e o(s) Museu(s) na Póvoa de Vazrzim", pp. 65-117.

Manuel Fernando - Faria Souto - "O Abade de Navais e Rocha Peixoto: traços de união entre o político progressista e o investigador enamorado da sua Póvoa", pp. 119-171.

António Martins, Emília Nóvoa Faria - "Rocha Peixoto e o Comércio da Póvoa de Varzim", pp. 173-207.

Maria da Conceição Nogueira - "Revisitação do "Olhar" de Flávio Gonçalves nas Comorações do Nascimento de Rocha Peixoto", pp. 209-305.

Justino Mendes de Almeida - "Rocha Peixoto: notável etnólogo e etnógrafo pouco lembrado", pp. 307-309.

Armando Rocha Marques - "Colóquio Rocha Peixoto (1966): o meu testemunho", pp. 311-315.

Manuela Barreto Nunes - "Bibliotecas Públicas e Território: a importância do fundo local num mundo globalizado", pp. 317-325.

Manuel Costa - "(Re)Descobrir Rocha Peixoto Através do seu Espólio", pp. 327-343.




José Macedo Varela - "Um Legado Intemporal", p. 5.

Luís Diamantino Carvalho Batista - "Testemunho de Cultura", p. 7.

Maria da Conceição Nogueira - "Nota de Abertura", pp. 9-11.

Rodrigo Rocha Peixoto - "Viver Depressa", p. 13.

A. do Carmo Reis - "O Tempo de Rocha Peixoto", pp. 15-21.

Justino Pereira - "Rocha Peixoto e a Figura Paterna", pp. 23-39.

Henrique Barreto Nunes - ""Afinal... És uma Espécie de Meu Filho Dilecto...": cartas de Rocha Peixoto a Manuel Monteiro", pp. 41-65.

J. A. Gonçalves Guimarães - "Rocha Peixoto e a Revista de Portugal", pp. 67-77.

Luís Aires Barros - "Rocha Peixoto: cultor das ciências da terra", pp. 79-81

João Paulo Cabral - "Rocha Peixoto e as Ciências Biológicas", pp. 83-135.

Luís Cabral - "Males e Remédios: Rocha Peixoto e a Biblioteca do Porto", pp. 137-161.

Isabel Santos - "Rocha Peixoto: testemunho de uma Descoberta", pp. 163-167.

António Manuel Passos de Almeida - "Contributos ao Estudo da Museologia Portuguesa na Transição do Século XIX para o Século XX: a acção de A. A. Rocha peixoto no Museu Municipal do Porto", pp. 169-189.

Ana Cristina Martins - "António Augusto da Rocha Peixoto (1866-1909) no Contexto da Arqueologia Contemporânea: um breviário", pp. 191-209.

Armando Coelho Ferreira da Silva - "O Discurso Etno-Arqueológico de Rocha Peixoto e o projecto Identitário da Portugalia", pp. 211-219.

Mário Jorge Barroca - "Rocha Peixoto e a Cronologia das Sepulturas Escavadas na Rocha: a propósito de uma polémica recensão à revista Portugalia", pp. 221-233.

José Manuel Flores Gomes - "Rocha Peixoto e as Escavações na Cividade de Terroso (1906-1907)", pp. 235-251-

Isabel Silva - "Cumpre-se o Sonho e Honra-se a Memória...", pp. 253-255.

Lino Augusto Tavares Dias - "Contributos de Rocha Peixoto para a Leitura Contemporânea de Unidades de Paisagem Cultural do Douro Verde", pp. 257-277.

Francisco M. V. Reimão Queiroga - "A Cividade de RioDouro Revisitada", pp. 279-295.

Luís de Sousa Martins - "A Fotografia de Rocha Peixoto: reflexões em torno do seu lugar num projecto etnográfico", pp. 297-319.

Maria Helena Correia Samouco - "A Relevância da Cultura Material e outros Tributos aos Estudos Etnográficos sobre o Povo Português, em Rocha Peixoto", pp. 321-325.

José Fernando Reis de Oliveira - "Das Tabulae Votivae em Rocha Peixoto aos "Ex-Voto" do Santuário do Senhor Jesus da Piedade de Elvas", pp. 327-333.
Luís Filipe Maçarico - "O Património Popular na Obra Etnográfica de Rocha Peixoto", pp. 335339

rocha peixoto centenário de falecimento





José Macedo Vieira - "Na Abertura do Colóquio Rocha Peixoto no Centenário da sua Morte", pp. 5-6.

João Francisco Marques - "Evocando Rocha Peixoto No Centenário da Sua Morte", pp. 7-11.

José ManuelnFlores Gomes - "Arqueologia no Concelho da Póvoa de Varzim: cem anos depois de Rocha Peixoto", pp. 13-31.

António Manuel S. P- Silva - "Um Passado sem Fronteiras: salvaguarda e gestão do património arqueológico na Área Metropolitana do Porto", pp. 33- 53.

Luís de Sousa Martins - "Lugares, Itinerários e Temas nos Manuscritos de Rocha Peixoto", pp. 55- 93.

Isabel Maria Fernandes - "Rocha Peixoto": o gosto pela cerâmica e pelos seus artífices", pp. 95-135.

Deolinda Carneiro - "A Colecção de Ex-Votos do Museu Municipal da Póvoa de Varzim, na estreia do Estudo "Tabulae Votivae" de Rocha Peixoto, pp. 137-157.

João Paulo Cabral - "Rocha Peixoto e a História Natural: ensino, colecções e museus", pp. 159-211.

Frederico Sodré Borges - "Rocha Peixoto, Naturalista da Academia Politécnica do Porto", pp. 213-229.

António Braz Oliveira - "Notícia do "Risco", de Rocha Peixoto na BNP", pp. 231-239.
José Afonso Furtado, Paulo Leitão, Ana Barata - "Colecções Patrimoniais da Biblioteca de Arte: do analógico ao digital", pp. 241-249.
Manuel Costa - "O Espólio e a Biblioteca Digital Rocha Peixoto", pp. 251-261.





domingo, 9 de maio de 2010

fenomenologia do amor

Homem que pensa, que estuda, que trabalha debaixo da influência tenaz duma ideia, que cisma na imortalidade que pode dar-lhe a ciência, ou no dinheiro que pode dar-lhe um livro - tal homem só serve para marido depois que o reumatismo lhe faz ver o celibato à luz da higiene. / Homem que se furta um ou dois meses à canseira dos livros, para amaciar a ridez do espírito nas frivolidades da vida - embora se preocupe imaginando belezas no amor, única frivolidade suportável -, tal homem o que faz é enojar-se um ou dois meses para depois entrar na vida que deixou, abraçar a ciência, esposa legítima que desdenhara, e recordar com tédio as vulgaridades em que se amesquinhou. Este homem não serve para mulher nenhuma. / E nenhuma serve para este homem. / Porquanto: / A mulher de medíocre inteligência (escrevo em Portugal) é entre nós o que, à míngua de sinceridade e não de palavra, se diz «mulher esperta». A mulher esperta é o ente mais defeituoso que se conhece aos olhos do homem que, noutra altura de ideias, lhe vê em baixo a sua insignificância. Esta mulher serve só para um homem extremamente ignorante, ou tolamente fátuo. Se ignorante, crê que é o marido da princesa Magalona; se tolamente fátuo, cuida que, por ser o osso do osso e a carne da carne, é também o espírito de sua mulher.



Não assim o homem que encaneceu a meio caminho da vida sobre os detestáveis in-fólios, e as tiras eternas da composição literária. / Onde está a mulher que possa prender, a atenção do homem, perdida nos mundos etéreos da imaginação? Fora das três ou quatro frases de amor, que se dizem com todos os comentários e variantes em vinte minutos, onde irá ela cevar a ponta da língua magnética? Como suavizará a palestra conjugal de todos os dias, se o marido despegado das coisas terrenas não compreende as vantagens do carvão de pedra sobre o da choça, nem se lhe dá o vestido da vizinha, nem quer saber se João namora Joana há sete anos? / As mulheres faladoras, santo Deus! Que zanga eu tenho às mulheres faladoras, e mormente às que fazem ostentação do palavreado incansável como duma veia de recursos nunca exausta! / Porque é que certas mulheres falam tanto? Acho que é porque não sabem nada. Eu já li... se me lembrasse onde... Parece-me que sei onde foi... Cá está o livro... É justamente nesta página. Ora vejam:"
Camilo, Um Homem de Brios
Bom, amanhã coloca-se aqui o resto.