quarta-feira, 24 de junho de 2009

Livros


«Teoria Moral e Ética Aplicada são dois volumes que foram concebidos para serem lidos sequencialmente. É certo que se trata de duas obras independentes, cada uma das quais pode ser lida sem a outra, mas estão de tal maneira interligadas, que não é aconselhável fazê-lo. Com efeito, em Teoria Moral, as ideias e os princípios éticos são apresentados no abstracto, com vista à sua aplicação a casos concretos; é em Ética Aplicada que são discutidos os casos concretos, pressupondo este segundo volume, em grande medida, as ideias e os princípios anteriormente defendidos (embora as grandes linhas com base nos quais foram defendidos sejam novamente recordadas). Os dois livros foram escritos em conjunto, e a melhor maneira de os ler é em sequência.»

David Oderberg

«As obras Ética Aplicada e Teoria Moral, o volume que faz par com aquele, constituem uma alternativa bem necessária à ortodoxia consequencialista. Em Ética Aplicada, os conceitos fulcrais da moral tradicional - os direitos, a justiça, o bem e o valor fundamental da vida humana - são aplicados a uma série de problemas, actualmente prementes: o aborto, a eutanásia, os animais, a pena capital e a guerra.» (contra-capa)


«Julgo ser impossível a um católico escrever um livro, seja sobre que assunto for - e ainda mais sobre este assunto -, sem dar a ver que é católico.»

«... a tese que pretende defender é a de que aqueles que apregoam que Cristo é apenas um de muitos mitos..., e a religião que Ele pregou uma de muitas religiões..., mais não fazem do que repetir uma fórmula perfeitamente trivial, que é no entanto contraditada por um facto perfeitamente extraordinário.»

Chesterton

«Este livro é uma introdução a alguns dos problemas principais da Filosofia - Deus, a mente, a liberdade, o conhecimento e a ética. Os capítulos podem ser lidos isoladamente, mas contam uma história mais ou menos contínua se forem lidos pela sua ordem. Começamos com algumas reflexões sobre o legado de Sócrates e avançamos depois para a existência de Deus, que é, talvez, a questão filosófica mais básica de todas, dado que a resposta que lhe dermos influenciará as nossas respostas a todas as outras. Esta questão conduz naturalmente a uma discussão acerca da morte e da alma, e depois as ideias mais modernas sobre a natureza das pessoas. Os últimos capítulos incidem na possibilidade de obtermos conhecimento objectivo na ciência ou na ética.»


James Rachels

Outros temas problemáticos que são analisados neste livro: o mal, o da identidade pessoal, o do livre-arbítrio, da questão da moralidade ou porque devemos ser morais, o sentido da vida e a felicidade.


Conjunto de textos históricos publicados em várias revistas e jornais, aborda temáticas históricas como o Liberalismo Português, a República, Salazar e Caetano, o «25 de Abril» ou Álvaro Cunhal. Uma nova perspectiva sobre a História de Portugal mais recente.


«A República, depois de um período confuso, banira o terrorismo e tendia para a moderação. Os conservadores, com a ajuda da Igreja, procuravam o caminho que, pouco a pouco, levaria a Salaz
«O dr. Cunhal é parecido como uma gota de água com o dr. Salazar virado do avesso.»





quinta-feira, 18 de junho de 2009

"Coração, Cabeça e Estômago"


Apontamentos à Volta do Livro "Coração, Cabeça e Estômago" (CCE)

Eis um romance vivo de Camilo, perante o qual, indiscutivelmente, com uma interioridade textual riquíssima, se desvela aquilo, uma vez mais, que poderá ser o ser humano perante o tema maior deste livro, o amor, na sua essência, ao lado do “dinheiro” – uma vez mais.
Para mim, Silvestre da Silva, para além dos problemas que a personagem pode criar entre o romantismo e o realismo, é aquela personagem tipo-masculina que se identifica, acima de tudo, como protótipo do ideário romântico no qual se relaciona, mais do que com a vida, com a própria literatura, na hipótese da literatura ser vida. Camilo em Silvestre da Silva? Acredito que sim, tal como em Luís da Cunha (“Neta do Arcediago”) e, a minha personagem predilecta, Guilherme do Amaral (“Memórias de Guilherme do Amaral”, “Onde Está a Felicidade” e “Um Homem de Brios”), a mais rica personagem masculina da interioridade ficcional camiliana, onde a vida se confunde com literatura e a literatura com a vida.
Relativamente ao mundo feminino, em CCE, temos a personagem feminina Marcolina, aquela que o mundo despreza; mas a sua edificação salvífica enquanto personagem em queda, e mesmo em queda se liberta, prefiro indiscutivelmente a Liberata do livro “Neta do Arcediago”, que representa não só o tipo feminino camiliano em queda absoluta, para além de todas as convenções sociais, se converte em anjo e encontra a felicidade, neste mundo e no outro, no total abandono de tudo e de todos. São as “almas” eleitas de Camilo, tal como Augusta (“Um Homem de Brios”), a qual na queda, para lá de todas as construções morais da sociedade, consegue a ascensão moral e social.

Pensamentos
CCE

Um filósofo não deve aceitar no seu vocabulário a palavra morte, senão convencionalmente. Não há morte. O que há é metamorfose, transformação, mudança de feitio.

… a felicidade quer-se recatada para não suscitar invejas: é ela como a fina essência das flores distiladas, que perde o aroma, destapado o cristal que a encerra.

Um verdadeiro amor é segunda inocência.

Grande é a angústia do homem que de si próprio quer esconder seu aviltamento!

Felizes os que choram… É a única felicidade que eu posso dar-lhe.

E o meu riso era um espirro de ferocidade, uma destas coisas que sente o Lúcifer, quando o sacode a vertigem da raiva impotente contra Deus.


Amadeu Gonçalves




Ética e Futebol

A sexta sessão (com o tema Ética e Futebol e que decorreu no último dia 15 de Junho no Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão) do I Filo-Café organizado pela Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática (APEFP), teve como convidados o árbitro de futebol da I Liga profissional Cosme Machado e o ex-jogador de futebol “Tibi”, isto é, António José de Oliveira Meireles, uarda-redes que foi do F. C. do Porto.


Mais uma vez, superando as expectativas, não só pela adesão da comunidade a esta iniciativa (como às outras sessões), como igualmente pela participação activa do auditório (outra característica comum), o I Filo-Café organizado pela APEFP tem vindo a demonstrar, cada vez mais, o seu papel activo, e em crescendo, na própria sociedade, tal como a imprensa o tem revelado, evidenciando, assim, cada vez mais a sua importância.


Enquanto que o moderador do debate, Manuel Barreira (Vice-presidente da Direcção Nacional da APEFP) apresentou inicialmente, e de uma forma breve e apelativa, aquilo que poderá ser a ética na sociedade contemporânea, já Cosme Machado, formador de árbitros, salientou principalmente aquilo que não é ético no futebol profissional português, evidenciando as muitas pressões a que os árbitros, muitas vezes, estão sujeitos.


Manuel Barreira apresentou três condições daquilo que poderá ser a ética, nomeadamente i) a pessoa enquanto sujeito moral, ii) a função da reflexão ética e iii) os postulados para uma condição ética. Cada uma destas condições contém, em si, as suas próprias características. Assim, relativamente à primeira condição podemos apontar a singularidade e a dignidade, a liberdade e o compromisso, entre outras; na segunda, surge-nos a clarificação e a fundamentação, a aplicação e a promoção, e, finalmente, na última, temos a honestidade e o respeito das leis e às pessoas, assim como a transparência.



Por seu turno, Cosme Machado apresentou o que não é ético no futebol português, nomeadamente nos clubes, na comunicação social e os comentários que os próprios clubes, os vencidos e os vencedores, fazem no fim do jogo.
“Tibi”, sempre atento e dialogante, intervinha a cada passo, animando a sessão, esclarecendo e dando exemplos práticos, comparando, ao mesmo tempo, o futebol do seu tempo com o de hoje, tendo sido bastante crítico com a comunicação social, principalmente as televisões.
Amadeu Gonçalves
Presidente Assembleia-Geral
APEFP

sexta-feira, 5 de junho de 2009

APEFP ética e futebol


A Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática (APEFP) vai realizar no próximo dia 15 de Junho, pelas 21h30, no Museu Bernardino Machado (V. N. de Famalicão), a VI sessão do seu I Filo-Café, tendo como tema ética e futebol, e mais conrectamente, o desporto, sendo os convidados o famoso guarda-redes “Tibi”, isto é, António José de Oliveira Meireles, e o árbitro de futebol da I Liga Cosme Machado.
Cosme da Cunha Machado é natural da freguesia de Arnoso St.ª Eulália, concelho de V. N. de Famalicão, tendo começado a sua carreira de árbitro na época de 1993/94. A promoção à I Liga é realizada na época de 2004/05. Além de árbitro, Cosme Machado é igualmente formador/monitor de árbitros e Presidente da Associação de Árbitros de Futebol de Braga. Já arbitrou jogos internacionais, a nível de selecções e de clubes, representando também a UEFA na qualidade de 4.º árbitro. Enquanto que em 2001 e em 2005 a autarquia famalicense conferiu-lhe um voto público de congratulação pela sua actividade, em 2001 atribuiu-lhe a medalha de Mérito Desportivo. No ranking de árbitros da I Liga 2007/08 ocupava o 13.º lugar.
Por seu turno, “Tibi” foi guarda-redes do F. C. do Porto durante grande parte da década de 70 e o início da década de 80. Iniciou a sua carreira profissional ao serviço do Leixões. Representou o F. C. do Porto em duas fases: primeiro, entre 1972 a 1977 e, segundo, entre 1979 a 1983. Representou a selecção nacional. Depois de ter deixado o F. C. do Porto, esteve no Varzim S. C. e no F. C. de Famalicão, terminando a sua carreira desportiva no recreativo de Águeda. Em Matosinhos, de onde é natural, é conhecido pelo “Tibi da Bola”.
A APEFP orgulha-se assim, de apresentar um tema sempre tão explosivo e apaixonado, como sempre tão polémico e empolgante que mexe com a sociedade global contemporânea, e, em especial, o futebol, na perspectiva de um jogador e de um árbitro.
O moderador é Manuel Barreira, licenciado em Filosofia e Vice-Presidente da Direcção Nacional da APEFP.



O Presidente da Assembleia-Geral
APEFP
Amadeu Gonçalves

quinta-feira, 4 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Famalicão em festa












































Eutanásia, potencializar a vida


EUTANÁSIA
POTENCIALIZAR A VIDA

Há que dizer, profetas da vida, porque profetas da morte não é preciso que haja profetas, porque mesmo sem profetas a morte vem. Sejamos profetas da vida, porque essa é que é preciso desenvolver e fazer crescer.

Prof. Costa Pinto


Potencializar a vida foi a mensagem que o prof. Costa Pinto, convidado da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática para a realização da V sessão do I Filo-Café (que decorreu no dia 18 de Maio no Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão, de uma forma magnífica, e com um auditório no final bastante participativo), evocou na sua fantástica palestra Eutanásia: morrer com diginidade?
Divindindo a sua comunicação em três partes, o prof. Costa Pinto, da Faculdade de Filosofia de Braga/Universidade Católica Portuguesa, projectou, inicialmente, a distinção entre a eutanásia e a distanásia, o horizonte que está em causa quando se fala de eutanásia e as suas respectivas alternativas. Ao questionar perante o auditório o que é a eutanásia, remontando inicialmente ao seu sentido etimológico, que significa uma boa morte, uma morte digna, uma morte em paz e sem sofrimento, a partir da II Guerra Mundial, principalmente devido aos crimes nazistas, a eutanásia, no seu sentido pejorativo, significou liquidar pessoas de forma gratuita. Hoje, no foro médico, a eutanásia é uma acção ou omissão que por sua natureza provoca a morte sobre o pretexto de eliminar a dor. No pólo oposto à eutanásia temos a distanásia, a qual, termo relativamente recente devido aos avanços da medicina, definiu-a como o comportamento de retardar a morte, isto é, é um prolongamento a-criterioso. A partir daqui relatou exemplos concretos e práticos da acção médica, como também evidenciou como a lei portuguesa actua em casos de risco.
O segundo aspecto que lançou para discussão foi o horizonte que está em causa quando se fala de eutanásia. Por um lado, temos o valor da pessoa humana, evidenciando a cultura mercantilista e de morte da sociedade contemporânea, e, por outro lado, a questão do sentido do sofrimento, afirmando que um mundo sem sofrimento não seria mundo, até porque o sofrimento humaniza o ser humano.
O terceiro aspecto que o Prof. Costa Pinto realçou foi a implementação efectiva dos cuidados paliativos a nível nacional, no serviço nacional de saúde, e, depois, exaltou a valorização do humano, já que a verdadeira eutanásia, para ele, é a eutanásia da solidão, do abandono, a falta de amor, a falta de afecto. Este é o verdadeiro grito de quem sofre a dor física.


APEFP
O Presidente da Assembleia-Geral
Amadeu Gonçalves