quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ética e Futebol

A sexta sessão (com o tema Ética e Futebol e que decorreu no último dia 15 de Junho no Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão) do I Filo-Café organizado pela Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática (APEFP), teve como convidados o árbitro de futebol da I Liga profissional Cosme Machado e o ex-jogador de futebol “Tibi”, isto é, António José de Oliveira Meireles, uarda-redes que foi do F. C. do Porto.


Mais uma vez, superando as expectativas, não só pela adesão da comunidade a esta iniciativa (como às outras sessões), como igualmente pela participação activa do auditório (outra característica comum), o I Filo-Café organizado pela APEFP tem vindo a demonstrar, cada vez mais, o seu papel activo, e em crescendo, na própria sociedade, tal como a imprensa o tem revelado, evidenciando, assim, cada vez mais a sua importância.


Enquanto que o moderador do debate, Manuel Barreira (Vice-presidente da Direcção Nacional da APEFP) apresentou inicialmente, e de uma forma breve e apelativa, aquilo que poderá ser a ética na sociedade contemporânea, já Cosme Machado, formador de árbitros, salientou principalmente aquilo que não é ético no futebol profissional português, evidenciando as muitas pressões a que os árbitros, muitas vezes, estão sujeitos.


Manuel Barreira apresentou três condições daquilo que poderá ser a ética, nomeadamente i) a pessoa enquanto sujeito moral, ii) a função da reflexão ética e iii) os postulados para uma condição ética. Cada uma destas condições contém, em si, as suas próprias características. Assim, relativamente à primeira condição podemos apontar a singularidade e a dignidade, a liberdade e o compromisso, entre outras; na segunda, surge-nos a clarificação e a fundamentação, a aplicação e a promoção, e, finalmente, na última, temos a honestidade e o respeito das leis e às pessoas, assim como a transparência.



Por seu turno, Cosme Machado apresentou o que não é ético no futebol português, nomeadamente nos clubes, na comunicação social e os comentários que os próprios clubes, os vencidos e os vencedores, fazem no fim do jogo.
“Tibi”, sempre atento e dialogante, intervinha a cada passo, animando a sessão, esclarecendo e dando exemplos práticos, comparando, ao mesmo tempo, o futebol do seu tempo com o de hoje, tendo sido bastante crítico com a comunicação social, principalmente as televisões.
Amadeu Gonçalves
Presidente Assembleia-Geral
APEFP

sexta-feira, 5 de junho de 2009

APEFP ética e futebol


A Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática (APEFP) vai realizar no próximo dia 15 de Junho, pelas 21h30, no Museu Bernardino Machado (V. N. de Famalicão), a VI sessão do seu I Filo-Café, tendo como tema ética e futebol, e mais conrectamente, o desporto, sendo os convidados o famoso guarda-redes “Tibi”, isto é, António José de Oliveira Meireles, e o árbitro de futebol da I Liga Cosme Machado.
Cosme da Cunha Machado é natural da freguesia de Arnoso St.ª Eulália, concelho de V. N. de Famalicão, tendo começado a sua carreira de árbitro na época de 1993/94. A promoção à I Liga é realizada na época de 2004/05. Além de árbitro, Cosme Machado é igualmente formador/monitor de árbitros e Presidente da Associação de Árbitros de Futebol de Braga. Já arbitrou jogos internacionais, a nível de selecções e de clubes, representando também a UEFA na qualidade de 4.º árbitro. Enquanto que em 2001 e em 2005 a autarquia famalicense conferiu-lhe um voto público de congratulação pela sua actividade, em 2001 atribuiu-lhe a medalha de Mérito Desportivo. No ranking de árbitros da I Liga 2007/08 ocupava o 13.º lugar.
Por seu turno, “Tibi” foi guarda-redes do F. C. do Porto durante grande parte da década de 70 e o início da década de 80. Iniciou a sua carreira profissional ao serviço do Leixões. Representou o F. C. do Porto em duas fases: primeiro, entre 1972 a 1977 e, segundo, entre 1979 a 1983. Representou a selecção nacional. Depois de ter deixado o F. C. do Porto, esteve no Varzim S. C. e no F. C. de Famalicão, terminando a sua carreira desportiva no recreativo de Águeda. Em Matosinhos, de onde é natural, é conhecido pelo “Tibi da Bola”.
A APEFP orgulha-se assim, de apresentar um tema sempre tão explosivo e apaixonado, como sempre tão polémico e empolgante que mexe com a sociedade global contemporânea, e, em especial, o futebol, na perspectiva de um jogador e de um árbitro.
O moderador é Manuel Barreira, licenciado em Filosofia e Vice-Presidente da Direcção Nacional da APEFP.



O Presidente da Assembleia-Geral
APEFP
Amadeu Gonçalves

quinta-feira, 4 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Famalicão em festa












































Eutanásia, potencializar a vida


EUTANÁSIA
POTENCIALIZAR A VIDA

Há que dizer, profetas da vida, porque profetas da morte não é preciso que haja profetas, porque mesmo sem profetas a morte vem. Sejamos profetas da vida, porque essa é que é preciso desenvolver e fazer crescer.

Prof. Costa Pinto


Potencializar a vida foi a mensagem que o prof. Costa Pinto, convidado da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática para a realização da V sessão do I Filo-Café (que decorreu no dia 18 de Maio no Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão, de uma forma magnífica, e com um auditório no final bastante participativo), evocou na sua fantástica palestra Eutanásia: morrer com diginidade?
Divindindo a sua comunicação em três partes, o prof. Costa Pinto, da Faculdade de Filosofia de Braga/Universidade Católica Portuguesa, projectou, inicialmente, a distinção entre a eutanásia e a distanásia, o horizonte que está em causa quando se fala de eutanásia e as suas respectivas alternativas. Ao questionar perante o auditório o que é a eutanásia, remontando inicialmente ao seu sentido etimológico, que significa uma boa morte, uma morte digna, uma morte em paz e sem sofrimento, a partir da II Guerra Mundial, principalmente devido aos crimes nazistas, a eutanásia, no seu sentido pejorativo, significou liquidar pessoas de forma gratuita. Hoje, no foro médico, a eutanásia é uma acção ou omissão que por sua natureza provoca a morte sobre o pretexto de eliminar a dor. No pólo oposto à eutanásia temos a distanásia, a qual, termo relativamente recente devido aos avanços da medicina, definiu-a como o comportamento de retardar a morte, isto é, é um prolongamento a-criterioso. A partir daqui relatou exemplos concretos e práticos da acção médica, como também evidenciou como a lei portuguesa actua em casos de risco.
O segundo aspecto que lançou para discussão foi o horizonte que está em causa quando se fala de eutanásia. Por um lado, temos o valor da pessoa humana, evidenciando a cultura mercantilista e de morte da sociedade contemporânea, e, por outro lado, a questão do sentido do sofrimento, afirmando que um mundo sem sofrimento não seria mundo, até porque o sofrimento humaniza o ser humano.
O terceiro aspecto que o Prof. Costa Pinto realçou foi a implementação efectiva dos cuidados paliativos a nível nacional, no serviço nacional de saúde, e, depois, exaltou a valorização do humano, já que a verdadeira eutanásia, para ele, é a eutanásia da solidão, do abandono, a falta de amor, a falta de afecto. Este é o verdadeiro grito de quem sofre a dor física.


APEFP
O Presidente da Assembleia-Geral
Amadeu Gonçalves

segunda-feira, 25 de maio de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

23 maio 09

Para o Dr. Sá Marques



Hoje, melhor, ontem, já que passa mais da meia-noite, em vez de ter ido a Seide para a 2.ª sessão da Comunidade de Leitores de Camilo, tendo sido o livro escolhido Vinte Horas de Liteira, resolvi ir até ao Museu Bernardino Machado, não só para escutar a conferência do Prof. Norberto Cunha, como também para dar um abraço ao Dr. Manuel Sá Marques. Posso dizer que, usando um título camiliano, que estive em Seide com o coração, a cabeça e o estômago: com o coração porque gosto de Camilo, com a cabeça porque já aí virá algumas reflexões pessoais sobre Vinte Horas de Liteira, e, finalmente, com o estômago, porque, tal como na primeira sessão, não deveria ter faltado uns docinhos e um vinho do porto para se apreciar a obra seleccionada. Camilo gostaria destas sessões.

Mas a surpresa seria inquestionavelmente a oferta que o Dr. Sá Marques me proporcionaria, com alguns livros, obviamente, com a sua boa vontade infinita. Kant gostaria deste neto de Bernardino Machado. Desta boa vontade do Dr. Sá Marques, tão pouco comum nos nossos dias, tenho até uma experiência recente que me deslumbrou. Efectivamente, anadava ainda a investigar a colaboração de Armando Bacelar na imprensa neo-realista, quando necessitava do jornal bracarense Alma Nova, por ele dirigido enquanto estudante liceal em Braga. Na altura, sabendo que os quatro números existiam na Biblioteca Nacional, pensei então em pedir ao Dr. Sá Marques que me arranjasse o título respectivo, o que o obrigaria a deslocar-se à respectiva Biblioteca Nacional. Após alguns dilemas morais, entre o pedir e o não pedir, lá resolvi um dia telefonar-lhe; e a resposta foi imediata, para não me preocupar que trataria de tudo, e disponha, disponha! O espanto foi tanto, fiquei tão estupefacto com tamanha amabilidade, que tal gesto é daqueles gestos que não se esquecem, ficam connosco até à imortalidade dos tempos, na nossa interioridade, enviando-me, praticamente, logo de seguida, os números respectivos fotocopiados por correio.
Desta vez, com a sua vinda a Famalicão, entre ir a Seide ou ao Museu, a opção de lhe ir dar um abraço e conversar um pouco com ele foi a que prevaleceu e acabou por ser relevante, não só pela sua companhia, como igualmente pelas ofertas com que me presenciou. Alguns livros eram conhecidos e não lidos, outros tidos e já lidos e outros ainda completamente desconhecidos. Destes últimos, saliento dois de José Barata Moura intitulados

respectivamente, Totalidade e Contradição: acerca da dialéctica e Para Uma Crítica da «Filosofia dos Valores», assim como o de Egídio Namorado intitulado Ponto de Vista, com prefácio de Fernando Catroga e que se chama Egídio Namorado: um racionalista dialéctico. Dos já conhecidos e não tidos (já estive com o livro na mão para o comprá-lo) destaco o livro O Século dos Intelectuais de Michel Winock e dos já tidos e lidos As Paixões e os Interesses de Albert Hirschman e o de Stuart Mill com o título Da Liberdade de Pensamento e de Expressão.


Ora, o ensaio de Hirschman é um daqueles textos que se podem aplicar perfeitamente à estética camiliana no plano teórico para justificar o que Camilo nos diz a propósito da “loucura do género humano”, a qual, na leitura das Vinte Horas de Liteira, a citação é de lá, se reparte entre o amor e a “moeda”. Aliás, Camilo aventa a hipótese de se inventar o numímetro, para se descodificar o comportamento humano.

Não sei, como é óbvio, as razões que levaram a Cândido Martins, o moderador destas sessões, a escolher este livro de Camilo para a 2.ª sessão da Comunidade de Leitores de Camilo. Contudo, para mim, inquestionavelmente, Vinte Horas de Liteira representa a condição programática da estética criacional de Camilo, a qual vem desde o seu primeiro romance, Anátema. Será através do seu alter-ego António Joaquim (cuja personagem aparece em romances como o Sangue e Doze Casamentos Felizes) que o autor-narrador Camilo expõe a condição de se ser escritor, evoca o papel dos editores perante o escritor, como é que o tema surge na escolha do escritor, as relações do autor com o editor e com o leitor, reflexões à volta do papel da literatura perante a


problemática do fingimento, a literatura na sua dimensão moral, ou o papel da imaginação e da memória no acto criacional, no nosso caso em Camilo. Perante estes grandes temas, surge-nos a fenomenologia do amor nos vários tipos humanos que Camilo oferece na multiplicidade de histórias (hoje, a literatura portuguesa é sem história) que nos vai auto-narrando pela figura de António Joaquim, analisa aquilo que poderá ser a poesia, o papel dos folhetinistas (os quais, depois, dão em políticos), as


paixões, os costumes, ou a relação intertextual com as personagens. Finalmente, gostaria de salientar a referência que Camilo nas Vinte Horas de Liteira efectua ao Minho e, particularmente, a Vermoim, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, não só no que diz respeito ao seu castelo ficcional, aparecendo muitas vezes nos seus textos, como a rara apologia de encantamento da vizinhança de Seide. Cito:

Vermoim é um altíssimo acerco de fragas, sobranceiras à freguesia daquele nom, uma légua distante de Famalicão, à esquerda da estrada de Guimarães. Da crista do monte descobrem-se verdadeiros tesouros, fertilíssimas campinas, povoações a branquejarem por entre florestas, bosques coroados pelas agulhas das torres, rios que serpenteiam por entre almargens e ervaçais, enfim, o Minho, o espectáculo prodigioso, que faz amar Portugal, e pedir a Deus nos não deixe ir tão longe no caminho do progresso material, que, ao cabo de contas – ao cabo de contas é a frase própria –, fiquemos sem pátria, por amor do aperfeiçoamento da matéria.


Evoco aqui, para uma análise futura mais profunda, sobre o que poderá ser a felicidade, através da personagem de Manuel de Mó, brasileiro de torna-viagem, tema, aliás, tão rico em Camilo:


Disse-me ele que cumprira o voto que fizera antes de ir para o Brasil, porque viera de lá com tamanha riqueza que não invejava a riqueza de ninguém, e por isso se considerava o homem mais rico da terra. Quis ele dizer que a experiência do mundo, e particularmente a experiência da vida amargurada de quem vai enriquecer-se ao Brasil, é um tesouro que Deus concede àqueles a quem quer dar o desapego dos bens necessários à verdadeira felicidade.