Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de março de 2011

luís serguilha

Cidade Hoje. Vila Nova de Famalicão (10 Mar. 2011), p. 2

terça-feira, 8 de março de 2011

luís serguilha no brasil

o poeta famalicense luís serguilha não pára por terras brasileiras. após ter já realizado várias apresentações do seu novo livro, com capa da aguarelista brasileira ivani ranieri, por várias cidades brasileiras e ter participado em encontros e congressos sobre literatura, amanhã será a vez de nova apresentação no centro cultural vergueiro, em são paulo. um abraço fraterno de amizade deste lado do atlântico e agradeço à ivani o envio destas fotos, uma mini-reportagem de serguilha pelo brasil.


centro cultural vergueiro, são paulo



o grupo da portuguesia em belo horizonte
melo e castro, ivani ranieri e serguilha, em são paulo

melo e castro e serguilha

serguilha num dos seus momentos efusivos


apresentações do livro











domingo, 6 de março de 2011

mitologias camilianas - sob a tutela de aquilino

escrevo aqui as primeiras linhas de um trabalho ainda inédito sobre a interpretação de aquilino relativamente a camilo, argumentando com harold bloom, bigotte chorão, josé régio, paul de mann, a. do prado coelho, paul ricoeur, entre tantos outros.


Partindo do princípio que o que preocupa Aquilino Ribeiro enquanto crítico e leitor omnisciente e consciencioso de Camilo é o desvelamento textual do mundo camiliano, entre a interioridade do texto como autor e narrador, e, por outro lado, a exterioridade na categoria do biográfico, situa-se aqui Aquilino enquanto leitor interpretativo. Assim nos evidencia para além da questão do meramente biográfico, definitivamente rompendo com a geração romântica de 1925 - porque não aqui evocar Bigotte Chorão, para o qual cuja geração de 1925 efectuou simplesmente "celebrações exteriores" em diferença das comemorações do centenário do falecimento de 1990, considerando que estas foram "um camilianismo mais exigente, digamos que mais interiorizado". E se hoje tomo cânone meus, salvo seja, Aquilino e Camilo, deve-se a tal ao desvelamento que Aquilino efectuou à obra camiliana, a alguns mundos camilianos que ele próprio interpretou, descodificando-os, assim o tomando como linha orientadora e tutelar da existência desses mesmos mundos, revelando-os numa linha sedutora de linguagem, proporcionando uma viagem iniciático-textual que Aquilino imprime ao seu "Romance de Camilo", assim como no contexto geral da obra, na linguagem de José Régio "escritor arcaizante". Aliás, Régio chama-nos a atenção neste relacionamento de Aquilino com Camilo quando nos diz que "cremos que ainda hoje está por estudar, no seu íntimo sentido, este pendor arcaizante (em nosso dias representados por um mestre como Aquilino.)" Ora, e o que é que Aquilino pretendeu com esta biografia romanceada de Camilo? Ele próprio nos diz nos seguintes termos: "Este livro, em despeito do título, não pode considerar-se romance. Sendo talahdo, até onde me chegou a arte, no cerne da vida, é história verdadeira. De resto, apenas quando se tornou mister que os factos luzissem consoante decorreram no guinhol humano, à luz própria, recorri à forma literária da romanceação. Quer dizer, em certas passagens, tive proceder em harmonia com as três dimensões, tempo, lugar, espaço, e em vez de melhorar a pena do tinteiro de chifre dos escrivães da puridade, com a oração no pretérito, servi-me do aparo de aço com os tempos no indicativo. Mas, à parte estas breves interporsições, o grosso da narrativa decorre desteatralizado, ma monocórdica escritura."



Artigos de Aquilino sobre Camilo.
  • "Um Autógrafo de Camilo". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 4 (Jan.-Mar. 1952), p. 162.
  • "Camilo Compreendido". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 6-7 (Jan.1953-Maio 1954), pp. 289-299.
  • "Camilo e Eça, frente a frente: conferência". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 1Jan.-Mar. 1951), p. 32
  • "Camilo e Tomás Ribeiro". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 5 (Abr.-Dez. 1952), p. 195.
  • "Camilo e Trás-os-Montes". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 5 (Abr.-Dez. 1952), p. 234.
  • "A Casa de Camilo". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 6-7 (Jan. 1953-Maio 1954), pp. 241-259.
  • "Eufrásia, a Hospedeira Integral". In Camiliana & Vária, Lisboa, n.º 2 (Abr.-Jun. 1951), p. 57.
  • "João de Deus Ramos". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 6-7 (Jan. 1953-Maio 1854), p. 327.
  • "A Macabra Ficção de Maria do Adro". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 3 (Jul.-Dez. 1951), p. 37.
  • "A Orfandade de Camilo". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 1 (Jan.-Mar. 1951), p. 5.
  • "Teixeira de Pascoaes". In Camiliana & Vária. Lisboa, n.º 6-7 (Jan. 1953-Maio 1954), p. 325.
NO LIVRO
Camilo, Eça e Alguns mais: ensaios de crítica histórico-literária", 4.ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, [1949]
"Camilo e Eça Frente a Frente"
  • 1 - Primeiros Escritos
  • 2 - Românticos e Realistas
  • 3 - Do Crime do Padre Amaro às Novelas do Minho
  • 4 - Eça Impassível e Camilo Irado
  • 5 - Camilo Ataca em Toda a Linha
  • 6 - A Prsistente Impugnação
  • 7 - Eça de Queirós Desce à Liça
  • 8 - Brasileiro Romântico e Realista
  • 9 - Eça Volta a Atacar
  • 10 - Camilo Contra-Ataca
  • 11 - A Carta-Póstuma de Represália

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

portuguesia, festa da língua e da poesia

"Que na verdade a poesia seja também tarefa para um pensamento, eis o que ainda temos de aprender neste instante do mundo. Tomemos o poema como um ensaio de meditação poética."
Heidegger, Para Quê Poetas? (1946)
Para o Wilmar e o Serguilha, abraço fraternal de amizade
Wilmar Silva, numa das suas actuações



  • Vai brevemente decorrer a "Portuguesia: Festa de Poesia de Língua Portuguesa e Espanhola", a qual já vai na sua 3.ª edição. O evento estará patente ao público nos próximos dias 18, 19 e 20 de Fevereiro do corrente ano, na cidade de Belo Horizonte do Estado de Minas Gerais, tanto no Palácio das Artes como no Instituto Cervantes. O autor do projecto, Wilmar Silva, conta com os curadores o famalicense Luís Serguilha, uma das vozes poéticas mais aclamadas no Brasil da poesia contemporânea portuguesa, e de Regina Mello, assim como com o próprio Wilmar Silva. Poeta, performer, editor (Anome Livros), curador, artista visual e sonoro, Wilmar Silva (natural do Rio Paranaíba, Minas Gerais, e nascido em 1965), já publicou "Anu" (2011), "Estilhaços no Lago de Púrpura" (2011), "Z a zero" (2010), "Astillas em el Lago de Púrpura" (2010) e "Yguarani" (2009). Para além de outras actividades, enquanto ensaísta/criador do projecto de pesquisa de poesia de línguas neo-latinas publicou em 2009 "Portuguesia", livrodvd, com 101 poetas de Portugal, Guiné Bissau, Cabo Verde e Brasil (Minas Gerais). Para o organizador desta 3.ª edição da "Portuguesia", com o subtítulo "Portuguesia Contra Antologia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética", Belo Horizonte será, durante três dias, a cidade da poesia à escala global com a edição mundial "Encontro Internacional Portuguesia Festa da Poesia de Línguas Portuguesas e Espanholas", na actividade intitulada "Verão Arte Contemporânea".



Instituto Cervantes
  • Terá a participação de poetas brasileiros e internacionais (Portugal, Finlândia, Argentina, Espanha, ou de Angola) sendo as línguas poéticas apresentadas através de livros, vídeos, debates, autógrafos, perfomances, instalações, onde a literatura e, em particular, a poesia, irá acontecer nas suas múltiplas linguagens. A "Portuguesia" chegará à Casa de Portugal, em São Paulo, ao FestiPoa em Porto Alegre e à Casa-Museu Camilo Castelo Branco/Centro de Estudos Camilianos (V. N. de Famalicão, Portugal), cujas edições anteriores têm tido a participação no projecto da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.


Adicionar imagem

Palácio das Artes

  • Como artistas convidados terá, por exemplo, a aguarelista brasileira Ivani Ramieri, da qual uma aguarela ilustrou a capa do mais recente livro de Luís Serguilha, intitulado "Koa`e". O livro de Serguilha já foi apresentado no dia 11 de Fevereiro na cidade de Carangole no Estado de Minas Gerais. No âmbito da "Portuguesia", terá nova apresentação no dia 19 no palácio das Artes, em Belo Horizonte. Para consultar o programa da "Portuguesia" http://www.portuguesia.com.br/.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

luís serguilha no brasil




Hoje, pelas 19h00, na cidade Carangole do estado brasileiro de Minas Gerais, o poeta mais internacional, e original, de Vila Nova de Famalicão, Luís Serguilha, vai apresentar o seu mais recente livro intitulado "Koa`e". A capa é uma aguarela da pintora brasileira Ivani Ranieri. No dia 19, fará nova apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Contém textos críticos de Marcelo Moraes Caetano, escritor, crítico literário e doutorando em literatura comparada, com o título "música ocular de Serguilha"; um outro, sem indicação titular, de Víctor Sosa, poeta, ensaísta, teórico de arte e de literatura, pintor e tradutor da língua portuguesa. Finalmente, de Abreu Paxe, poeta e professor de literatura, também sem indicação de título. O primeiro verso de "Korso", de 2009: " As cascas dos pêndulos da cosmopolização descolam-se".

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

a voz do emerso de alexandre

Apresentação do novo livro de Alexandre Teixeira Mendes "A Voz do Emerso", no Clube Literário do Porto, na cidade invicta, com ilustrações de Elisabete Pires Monteiro, no piano-bar, às 17h00.






Noite Escarlate




Respiro a custo em meio às naves

Meu corpo ascende pelo teu alento

Por sobre a abóbada celeste alucino

Detenho-me na noite escarlate

Sob o que de repente se esvai

O frémito do azul anil do céu

Ante o que assoma irrevogável

A luz branca retoma o seu fulgor




Alexandre Teixeira Mendes

domingo, 23 de janeiro de 2011

entre a filosofia e a literatura


Roger Bacon





"A natureza, por vezes, ensina-nos coisas surpreendentes, de maneira inesperada."

lídia jorge e portugal




"Percebe-se que o momento aconselha grande prudência, e ela implica passos lentos de desinflamação de relações que estão ao rubro, e não vão deixar de o estar a breve prazo. É possível que a ideia de uma espécie de armísticio universal comece agora a fazer o seu caminho. Lá onde se emaranhou o ódio e a desconfiança em níveis perigosamente insuportáveis, talvez seja possível começar a desenrolar o fio do novelo, em sentido oposto. Ora um país que a si mesmo se define, política e geograficamente, como uma costa, e que se tem por um povo de boa relação, deverá estar preparado para, no futuro, desmuniciar-se desse ethos pacífico que a si mesmo se atribui? Permancendo na sombra, e na apatia e na insignificância, como em tantas ocasiões tem procedido até agora? - Em princípio, não deverá." (186-187)




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

sophia de mello breyner andresen

Numa altura em que se prepara o Colóquio Internacional Sophia de Mello Breyner Andresen (a decorrer nos dias 27 e 28 de Janeiro do corrente ano) que se realizará na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, decorrendo a 26, na Biblioteca Nacional, a doação do seu espólio com a inauguração da exposição "Sophia de Mello Breyner Andresen: uma vida de poeta", nada melhor do que aqui a recordar com um poema, que saiu normalmente, à sorte, folheando o livro que aqui temos. Ei-lo:




O País Sem Mal



Um etnólogo diz ter encontrado
Entre selvas e rios de longa busca
Uma tribo de índios errantes
Exaustos exauridos semimortos
Pois tinham partido desde há longo anos
Percorrendo florestas desertos e campinas
Subindo e descendo montanhas e colinas
Atravessando rios
Em busca do país do mal -
Como os revolucionários do meu tempo
Nada tinham encontrado





quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

hermann hesse

CULTURA


  • "A verdadeira cultura não é aquela que almeja um determinado objectivo mas sim aquela que, como acontece em qualquer procura da perfeição, tem o seu próprio significado ínsito. Tal como a procura da força, da agilidade e da beleza física não tem um objectivo próprio definitivo (por exemplo, o de nos tornar ricos, célebres e poderosos), antes encontra em si mesma a sua recompensa, na medida em que exalta o nosso sentido vital e a nossa confiança em nós próprios, nos torna mais alegres e mais felizes e nos dá uma maior sensação de segurança e de saúde, também a procura da «cultura», ou seja, de um aperfeiçoamento intelectual e espiritual, não é um fatigante caminho em direcção a uma meta bem precisa, antes sendo, pelo contrário, um fortificante e benéfico alargamento da nossa consciência, um enriquecimento das nossas potencialidades de vida e de alegria. Por isso, a verdadeira cultura, tal como a educação física, é, ao mesmo tempo, um estímulo e uma satisfação, atinge sempre o alvo mas não pára em lugar algum, é um proceder no infinito, um vibrar em uníssono com o universo, um viver com isso fora do tempo. O seu objectivo não é o desenvolvimento de uma única faculdade ou capacidade; essa ajuda-nos, principalmente, a dar um sentido à nossa vida, a interpretar o passado, a abrirmo-nos ao futuro com corajosa prontidão." (9)
LITERATURA
  • "Entre as vias que conduzem a esta cultura, uma das mais importantes é o estudo da literatura universal, o adquirir, pouco a pouco, familiaridade com o imenso tesouro de pensamentos, experiências, símbolos, fantasias e miragens que o passado nos deixou em heranças nas obras dos poetas e dos filósofos de muitas nações. Esta via é interminável, ninguém a poderá alguma vez percorrer até ao fim, ninguém conseguiria esgotar o estudo e o conhecimento da inteira literatura de um único povo civilizado, para não falarmos daquela humanidade inteira. Porém, por outro lado, cada nosso ingresso inteligente na obra de um grande poeta ou de um importante filósofo é uma experiência feliz e satisfatória, que acrescenta em nós não uma soma de noções mortas mas antes a nossa consciência viva e a nossa compreensão. Aquilo que nos deve importar não é termos lido e conhecer o mais possível mas sim, através de uma escolha livre e pessoal de obras-primas às quais nos dedicaremos plenamente nas nossas horas livres, fazermos uma ideia da grandeza e da abundância daquilo que o homem pensou e desejou, e de nos situarmos numa relação de vivificante conformidade com a soma das coisas, com a vida e com o pulsar da humanidade. Este é, no fundo, o significado de toda a existência que não se limita à pura necessidade material. A leitura não deve, de modo algum, «distrair-nos» mas sim concentrar-nos; não nos deve fazer esquecer uma vida sem sentido, nem aturdir-nos com uma consolação ilusória antes devendo, pelo contrário, contribuir para dar à nossa vida um significado sempre mais elevado e mais pleno." (10)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

virginia woolf


  • «A biblioteca é sempre a sala mais agradável de uma casa», citou ela, e passou os olhos pelos livros. Os livros eram «O espelho da alma. The Faerie Queene e a Crimea de Kinglake; Keats e a Sonata a Kreutzer. Ali estavam eles, a reflectir. Em quê? Que remédio podia ela encontrar com a sua diade - a idade do século, trinta e nova - nos livros? Era avessa aos livros, como o resto da sua geração; e avessa às armas também. E mesmo assim, tal como, na farmácia, uma pessoa com uma dor de dentes lancinante passa os lhos pelos frascos com rótulos dourados no caso de um deles conter a cura, ela ponderou: Keats e Shelley; Yeats e Donne. Ou talvez não um poema; uma vida. A vida de Garibaldi. A vida de Lord Palmerston. Ou talvez não a vida de uma pessoa; de um condado. As Antiguidades de Durham; As Actas da Sociedade Arqueológica de Nottingham. Ou nem mesmo uma vida, mas ciência - Eddington, Darwin, ou Jeans. / Nenhum deles lhe fazia passar a dor de dentes. Para a sua geração o jornal era um livro." (22)
  • "Vazia, vazia, vazia; silenciosa, silenciosa, silenciosa. A sala era uma concha, cantando o que fora antes do tempo..." (33)
  • "Vindas da biblioteca as vozes pararam na entrada. Encontraram por certo um obstáculo; um rochedo. Era absolutamente impossível, mesmo no coração da província, estar só? Tal era o choque. Depois disso, o rochedo foi contornado, abrangido. Se era doloroso, era essencial. Tem que haver sociedade. Saindo da biblioteca, era doloroso, mas agradável..." (33)
  • "«Faltam-nos as palavras - faltam-nos as palavras», protestou a Sr.ª Swithin. «Na cabeça; não nos lábios; é só isso.» «Pensamentos sem palavras?, ruminou o irmão. «Será isso possível?» (45)
  • "Porque julgarmo-nos uns aos outros? Conhecemo-nos uns aos outros? Não aqui, não agora." (49)
  • "«Como tenho o coração cheio de primavera?» disse ele em voz alta, de pé, em frente à estante. Livros: o precioso sangue vital dos espíritos imortais. Poetas: os legisladores da humanidade." (85)
  • "A música acorda-nos. A música faz-nos ver o que está escondido, juntar o que está quebrado. Olhar e ouvir. Ver as flores, como elas irradiam a sua vermelhidão, a sua brancura, o seu prateado, e o seu azul. E as árvores, com as suas silabizações em muitas línguas, as suas folhas verdes e amarelas apressando-nos e misturando-nos, e chamando-nos, como os estorninhos e as gralhas-calvas, se juntam, se apinham todos, para tagarelar e se divertir enquanto a vaca fulva anda para a frente e a preta fica parada." (88)
  • "O vento levou consigo as palavras." (91)
  • "Por onde caminho?» cismou ela. «Por que túneis ventosos? Onde o vento sem olhos sopra? E onde não cresce nada para os olhos. Nenhuma rosa. Para nascer onde? Em algum indistinto campo estéril onde nenhum crepúsculo estende o seu manto; nem o sol nasce. Tudo é igual aí. Sem vento e sem alento são as rosas lá. Nãi há variação; nem o mutável e o amável; nem boas vindas e despedidas; nem descobertas nem emoções furtivas, onde a mão procura a mão e os olhos buscam abrigo dos olhos.» (111)
  • "Cada um é parte do todo." (135)
  • "Palavras sem sentido - palavras maravilhosas." (148)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

cmvnf/ape conto 2009





foi entregue hoje, em s. miguel de seide, o prémio do conto camilo castelo branco do ano de 2009, numa parceria câmara municipal de vila nova de famalicão (cmvnf) e associação portuguesa de escritores (ape). o galardoado com o prémio foi o escritor afonso cruz com o livro "enciclopédia da estória universal", perante um júri constituído por clara rocha, josé antónio gomes e josé ribeiro ferreira. quando se leu o livro, foram feitas as devidas referências. afonso cruz é um escritor da nova geração que traz uma lufada de ar fresco à literatura portuguesa. deixo a lembrança, ou algumas lembranças do dia de hoje, nomeadamente a dedicatória de afonso cruz, assim como o texto manuscrito que teve início na folha ante-rosto do livro, o qual, na íntegra, pode ser encontrado neste blog. a sessão decorreu com o olhar atento de camilo.









o dr. artur sá da costa apresentou, no discurso inuagural da sessão, este quarteto de cordas da escola profissional de música da artave, que tocou um tema popular português de forma erudita, antes dos discursos iniciais.




a mesa: presidente da junta de s. miguel de seide, manuel amado; vereador da cultura e vice-presidente cmvnf, dr. paulo cunha; arq.º armindo costa presidente cmvnf; dr. josé manuel mendes, presidente ape; afonso cruz, o escritor premiado.




afonso cruz, no seu discurso inaugural. a sua "enciclopédia da estória universal" foi o primeiro livro que escreveu, não o primeiro que publicou. salientou que esta sua "enciclopédia" é uma bibliografia inventada, uma ficção do princípio ao fim, apesar da história, senão as histórias, serem baseadas em factos. salvo raro excepções, o livro nas livrarias estava quase sempre nas estantes dedicada à história. o exemplar que adquiri na livraria bertrand em braga estava, apesar no inicio se pensar o mesmo, na estante da ficção, bem lá no cimo, escondidinho. já contei neste blog a história.




dr. antónio gomes, representante do júri. dos pontos que focou, saliento a originalidade da arquitectura narrativa; a cultura filosófica do autor, leitor omnívoro; o passado e o presente da condição humana, nesta barca do mundo na qual estamos inseridos. estamos perante um livro inovador e de imaginação. tema principal: uma biblioteca imaginada. o que temos nesta "enciclopédia", para além do humor, deparamo-nos com a ironia, perante a narativa efabulística. estamos perante uma parábola divertida e crítica da cultura histórica nesta época neo-liberal.



dr. josé manuel mendes, presidente da ape. começou por referir uma ausência presente, a do dr. aníbal pinto de castro, considerando-o como um raio de luz e de sombra. perosnalidade invulgar, no magistério, enquanto professor em coimbra, onde foi seu aluno, e com obra reconhecida no centro de estudos camilianos. para o dr. josé manuel mendes, o dr. aníbal pinto de castro era uma personalidade que conjugava saberes múltiplos. deixou-nos estudos sobre os cancioneiros, p. antónio vieira, camilo, acrescentando camilo a camilo. de pinto de castro, acabou por salientar o seu fantástico humor envolvendo a sua personalidade cativadora. da existência do prémio, salientou a cooperação institucional entre a ape e a cmvnf para a valorização da literatura no que ela tem de perdurável e pela obra de afonso cruz, uma livre criação de ficcionalidade: e que o seu livro tenha aparecido em estantes trocadas acaba por ser uma honra! o que a "enciclopédia" de afonso cruz revela é o seu carácter polissémico. terminou com uma citação de s. tomás de aquino: a fé é a substância das coisas que se esperam: na ideia de que a literatura perdure, eternamente.





arq.º armindo costa, presidente da cmvnf, no momento do seu discurso. começa por recordar o dr. aníbal pinto de castro nas seguintes palavras: "por vezes, não são necessárias palavras", e "simples gestos indiciais revelam, com misteriosa eloquência, os segredos do futuro". salienta que o grande prémio do conto camilo castelo branco revela hoje um futuro promissor para afonso cruz, artista multifacetado. para além de escritor, revela-nos o artista da imagem, o artista da música. salienta que os jornais dizem que afonso cruz é um faz-tudo, sendo, por isso mesmo, um artista multifacetado da pós-modernidade em curso. comenta que numa época como a nossa em que se valoriza a especialização, tal situação para afonso cruz será um elogio, "porque consegue tocar vários instrumentos da arte com o talento iluminante que despontam e nos surpreendem." o que tornou imortal camilo foi, precisamente, a sua descrição das paixões humanas, a perspicácia social e política. focando o facto do ministério da educação ter retirado o livro "amor de perdição" do programa do ensino secundário, tal como aconteceu com outros autores clássicos, o que se passou é que camilo "foi expulso da escola portuguesa." cito do discurso do presidente da cmvnf: "dizem os entendidos em programas curriculares, que nem todos estão preparados para aceder à mensagem humanista de que somos herdeiros. lamentamos profundamente, porque a retirada de camilo das escolas representa, antes de mais, um murro no estômago da nossa cultura e da nossa tradição humanista, e representa também um ataque à literatura portuguesa e à educação das novas gerações." citando camilo "os dias prósperos não vêm por acaso. nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento", afirmando que a cmvnf não desistirá de camilo. camilo agradece.




no momento da entrega do prémio a afonso cruz



o presidente da cmvnf, arq.º armindo costa, a oferecer a afonso cruz, a "história de famalicão".




afonso cruz e francisco josé viegas