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segunda-feira, 18 de julho de 2011

suroeste

En el aspecto cultural, los artistas fueron excelentes voceros de estos cambios que se produjeron a una velocidad inusitada para los tiempos. Esta «aceleración histórica», en palabras de Octavio Paz, llegó a las artes plásticas y a la literatura e la mano del simbolismo finisecular (que en el ámbito hispano se conoció con el término «modernismo») y las vanguardas históricas de los primeros años del siglo XX. El simbolismo se extendió como uma mancha de aceite por Europa y América, dando pie a que, algunos años después, las vanguardias históricas ecçlisonaran en el conjunto de las artes y en todo Occidente de forma simultánea. / [...] Cien años después, la Sociedade Estatal de Conmemoraciones Culturales (SECO) y el Museo Extremeño Iberoamericano de Arte Contemporáneo (MEIAC) recuerdan aquella estética, ese gran movimiento artístico internacional, como lo denominaría el poeta portugués Fernando Pessoa, que transformó para siempre la concepción de la cultura. A exposição Suroeste acerca al publico el amplio período estético que compreende cronológicamente desde 1890 a 1936, con el objecto de iluminar mejor las raíces de la cultura actual y la forma de entender el mundo de las nuevas generaciones. / [...] Suroeste oferece una visión panorámica de los inícios de esa red de contactos, algo así como una colección de fotogramas que resalta cómo en la literaturam la plástica, el cine, la fotografía, la música el diálogo fue posible y fecundo entre los primeros modernistas y el primer simbolismo luso, por un lado y entre los miembros del 27 y los autores del segundo modernismo portugués, por otro.


Soledad López





Eduardo Lourenço - "O Mundo sem Saber", pp. 21-27

António Sáez Delgado - "Suroeste: el universo literario de un tiempo total em la Península Ibérica (1890-1936)", pp. 28-43.

JUan Manuel Bonet - "Portugal-España 1900-1936: artes plásticas", pp. 44-57.

José-Carlos Mainer - "Entre dos Siclos: la incertidumbre de la modernidad", pp. 58-69.

Gabriel Magalhães - "O Remorso Romântico: um ensaio sobre as desfocagens do romantismo no espaço peninsular", pp. 70-81.

Elena Losada Soler - "Una Historia Intermitente: Eça de Queirós en España", pp. 82-93.

Carlos Reis - "A Falência da Palavra Realista: antes do modernismo", pp. 94-105.

Eloísa Álvarez - "Eugénio de Castro y España", pp. 106-127.

Ángel Marcos de Dios - "Unamuno y la Literatura Portuguesa", pp. 128-141.

António Cândido Franco - "Pascoaes Ibérico", pp. 142-155.

Maria Jorge, Luís Manuel Gaspar - "Miren Ustedes: Leal da Câmara em Espanha", pp. 156-161.

Elias J. Torres Feijó - "Relacionamento Literário Galego-Português: legitimação e expansão com Sísifo ao fundo", pp. 162-187.

Victor Martínez-Gil - "Portugal y Cataluña ante la Modernidad: intercambios artísticos y literarios", pp. 188-203.

Antonio Franco Domínguez - "La Extremadura Portuguesa y la Estremadura Espanhola: los imaginarios del oficialismo", pp. 204-211.

Jordi Cerdà Subiraches - "Mouvement de Nouveauté", pp. 212-229.

Fernando Cabral Martins - A Obsessão da Identidade (Pesoa e a Ibéria do Século XX)", pp. 230-240.

Jerónimo Pizarro - "Otros Vestigios", pp. 240-249.

Antonio Sáez Delgado - "Adriano del Valle y Rogelio Buendía: los interlocutores ultraístas", pp. 250-255.

Eloy Navarro Domínguez - Ramón Gómez de la Serna, Carmen de Burgos y el «Descubrimiento» de Portugal", pp. 256-281.

Sara Afonso Ferreira - "Alamda e Espanha: os embaixadores desconhecidos», pp. 282-311.

João Paulo Cotrim, Luís Manuel Gaspar - "António Ferro: um cometa a sudoeste", pp. 312-317.

Andreia Galvão - "«De Braço Dado com Almada: Madrid, um «momento» determionante para Segurado e para a arquitectura portuguesa", pp. 318-323.

Ana Berruguété - "Vázquez Díaz y Portugal", pp. 324-339.

José Luís Porfírio - "Memórias de Vázquez Díaz", pp. 340-343.

António Apolinário Lourenço - "A Geração de 27 e o Segundo Modernismo Português", pp. 344-355.

Fátima Freitas Morna - "Vitorino Nemésio e a Espanha", pp. 356-373.

Javier Herrera - "Presencia de Portugal en el Cine Español: 1895-1936", pp. 374-385.

Salvato Telles de Menezes - "Relações Cinematográficas entre Portugal e Espanha: 1895-1936", pp. 386-394.

José de Matos Cruz - "1896-1936: Espanha / Portugal" ", pp. 395-399.

"Música na Exposição", pp. 400-403.

Hipólito de la Torre - "Cronologia Histórica", pp. 405-422.

Luís Manuel Gaspar - "Cronologia Literária e Artística", pp. 423-431.

Perfecto E. Cuadrado - "De Silêncios, Diálogos y Monodiálogos: surrealismo en España y Portugal", pp. 432-445.

terça-feira, 7 de junho de 2011

a espanha de blasco ibañez

sessão da homenagem a blasco ibañez na sociedade de geografia, promovida pelo centro democrático académico em 16 de maio de 1909. fotografia retirada do blog do dr. manuel sá marques, do dia 12 de janeiro de 2010




para yoli, republicana convicta, este texto belíssimo de bernardino machado sobre a espanha cultural, texto lido no almoço que foi oferecido ao republicano espanhol em Lisboa, no dia 18 de Maio de 1909. a república portuguesa avizinhava-se.






Saúda em Blasco Ibañez a Espanha, a Espanha culta, que, não há muito ainda, quase ao mesmo tempo era glorificada na sua arte, na sua indústria e na sua ciência – Estocolmo conferia o Prémio Nobel ao dramaturgo Echegaray, Londres solenizava o aniversário do invento do laringoscópio por Manuel Garcia e a Academia de Berlim fazia seu sócio o sábio Tamon y Cajal – Nação admirável, que tem para celebrar as suas glórias passadas uma personalidade tão eminente como Menendez Pelayo, que vale por uma Academia inteira, e tem para lhe rasgar o horizonte das glórias futuras a personalidade extraordinária de Joaquim Costa, que é só por si como se fosse uma faculdade inteira de direito moderno.
Saúda a Espanha liberal, onde há hoje um grande Partido Republicano, com brilhante representação no Parlamento e nos municípios, cuja força profunda e incontestável se acaba de demonstrar rijamente nas últimas eleições, e onde o Chefe do Estado envia os seus cartões de cumprimentos aos presidentes do Senado e do Congresso, onde o Senado é já em parte electivo e o Congresso eleito pelo sufrágio universal, e onde o conservador Maura combate dentro do próprio partido a política do poder pessoal, do engrandecimento do poder real, e propõe e faz vingar uma lei de governo local, largamente descentralizadora.
Saúda a Espanha trabalhadora, onde se vai operando uma poderosa organização associativa de classe, e onde o Ministério das Finanças Villaverde fez mais do que equilibrar as despesas com as receitas, porque levou o orçamento e as contas do Estado até ao superavit, onde os governos têm sucessivamente reduzido os impostos de consumo e onde os partidos no poder se empenham em promulgar leis de justiça e protecção ao operariado.
Saúda a progressiva Nação espanhola, em que não só figuras tão extremadas na vida pública, como eram entre si ainda há pouco Galdés e Pereda, se abraçam no trato particular, mas em que Maura procura Azcárate e Labra para os ouvir sobre as questões nacionais pendentes mais graves, em que o Ministro Marquês de Figueiroa, conservador e católico, se incorpora, em nome do Governo, no saimento do republicano e livre pensador Salmeron, em que os poderes públicos não duvidam nomear para o Instituto de Estudos Sociais os professores republicanos Builla e Posada e eles não duvidam aceitar a nomeação, em que Madrid, por acordo e com aplauso geral, remove duma das suas mais belas praças o obelisco comemorativo dum nascimento principesco para o substituir pelo monumento ao príncipe da eloquência tribunícia, Castelar. E ainda tem nos ouvidos os vivas à República que, perante esse majestoso monumento, o povo, levando entre si Moret, ergueu, em meio da impassibilidade da polícia, no último aniversário da Revolução de Setembro.
Para essa obra de sociabilidade e de colaboração mútua tem contribuído imenso, cimentando a união íntima da juventude espanhola, a Instituição Livre de Ensino de Madrid, à frente da qual está um dos primeiros educadores do nosso tempo, D. Francisco Giner. Por isso, dirige-lhe também dali as suas saudações.
Neste movimento de solidariedade nacional, nesta penetração de ideias e sentimentos humanistas de tolerância, vê-se bem o espírito novo que avança serenamente e dominadoramente. À custa de quantas lutas, a preço de quantas dores e angústias, de quantos sacrifícios da democracia? Ai! Imagina-o.
E há uma província de Espanha, onde esse espírito novo tem a pujança, a exuberância do solo natal; é Valência.
De Valência é Soriano, é o republicano Luís Sinarro, insigne histologista e psicólogo, é o brilhante escultor republicano Benlliure, é o republicano Sorolla, o afamado pintor, é o republicano Morote, o enorme jornalista mundial, cheio de talento e de atracção, nosso inolvidável amigo muito querido, a quem tanto e tanto devemos das simpatias da opinião pública da Espanha para connosco, quando, em luta pela liberdade contra o despotismo, tivemos cruelmente contra nós a imprensa de todas as outras nações, até da liberal Inglaterra, até da republicana França, e é o republicano Blasco Ibañez, o prodigioso homem de letras que temos a honra de hospedar neste momento.
Saúda efusivamente a Blasco Ibañez, e, para o fazer, traz-lhe mais do que a sua pobre palavra, traz-lhe um abraço carinhoso de Guerra Junqueiro.

Bernardino Machado - "Blasco Ibañez". In Pela República: 1908-1909 - II. Lisboa: Editor-Proprietario, Bernardino Machado, 1910, pp. 547-551; "Em honra de Blasco Ibañez. Homenagem dos republicanos portugueses. O almoço de hontem no Grande Hotel de Inglaterra. O sr. dr. Bernardino Machado saúda a Hespanha politica e abraça Blasco Ibañez em nome de Guerra Junqueiro". In O Mundo, Lisboa, Ano 9, n.º 3067 (19 Maio 1909), p. 1.















quarta-feira, 25 de maio de 2011

educação e instrução na I república



EXPOSIÇÃO


I - Antes da República

II -Os Pedagogos da República

III - A Educação Cívica e Patriótica

IV - Os Manuais de Ensino

V - O Ensino Primário

VI - O Ensino Secundário: os liceus

VII - O Ensino Profissional

VIII - O Ensino Científico e Experimental

IX - O Ensino Superior

X - A Mulher e o Ensino

XI - A Festa da Árvore




TEXTOS


I - Cândida Proença - Educação para Todos: o ensino na I República

II - Joaquim Pintassilgo - O Ensino Primário

III - Luís Marques Alves - Ensino Técnico: um espaço educativo marginalizado mas "responsável" pelo nosso atraso

IV - Jorge Ramos do Ó - O Ensino Liceal nos Anos da I República

V - Justino Magalhães - A República e o Livro Escolar

VI - Margarida Louro Felgueiras - O Professor Primário e as suas Imagens

VII - Luís Reis Torgal - A Universidade e a República

VIII - Paulo Trincão - Construção de uma Exposição

IX - Cronologia Comparada







quinta-feira, 28 de abril de 2011

vitorino magalhães godinho (1918-2011)

a imagem que aqui tenho vinha no jormal "Público" de hoje. Esta é a minha simples homenagem a um historiador português notável, que na época em que li estes quatro volumes, no ano já ido de 1983, livros estes oferecidos na altura pela minha mãe, julgo que andava então no 12.º ano de escolaridade nas caldinhas, foi uma descoberta extraordinária, perante a nova interpretação que então fazia da história dos descobrimentos portugueses, na linha da nova história e fortemente influenciado por Braudel. Um sublinhado: "... a carta do globo é desenhada, o homem aprende a situar-se no espaço, a sua maneira de sentir e de entender as próprias relações humanas é impregnada pelo número, ao mesmo tempo que pela consciência da mudança; a pouco e pouco cria-se um critério para distinguir o fantástico do real e o impossível do possível; transformam-se, em complexidade contraditória, motivações e ideais; a produção e a circulação dos bens multiplicam-se, o mercado à escala do mundo torna-se o vector dominante da evolução económica, forma-se o Estado burocrático e centralizado de matiz mercantilista. Na realidade, entre o século XI e o XVII, não é uma, são várias as revoluções intelectuais e de estrutura social." Historiador e homem da cultura, porque não historiador da cultura e das mentalidades, apenas me resta agradecer a vitorino magalhães godinho esta fantástica leitura, que, lembro-me, no ano de 1983, numas férias, então viajei imaginando outros mundos.



















quinta-feira, 21 de abril de 2011

mircea eliade e portugal






  • Sorín Alexandrescu - "Portugal visto por Mircea Eliade".



  • Carlos Leone, José Eduardo Franco, Rosa Fina - "Estudo Introdutório"




I - Portugal no Século XIX


II - Os eruditos e a revolução.


III - As lutas partidárias


IV - O regicídio e a implantação da República


V - "Balbúrdia sanguinolenta"


VI - A ditadura de Sidónio Pais


VII - A guerra civil


VIII - Salazar: de Santa Comba a Coimbra


IX - Salazar: estudante e professor em Coimbra


X - Salazar: um dia no Parlamento...


XI - A revolução de 28 de Maio de 1926.


XII - Salazar: ditador das Finanças


XIII - Uma revolução espiritual


XIV - O Estado salazarista


XV - Quinze anos mais tarde...







para mim, eliade foi sempre o historiador das religiões. deliciei-me com a leitura de "Mitos, Sonhos e Mistérios" (1990), "O Mito do Eterno Retorno: arquétipos e repetição" (1990), "O Sagrado e o Profano: a essência das religiões" (s. d.), este livro uma tradução de rogério fernandes, e, inquestionavelmente o seu mais do que famoso "tratado de história das religiões" (1992), com um prefácio de george dumézil. dos vários sublinhados deste "tratado" encontro este, naquilo que poderá ser o documento perante o sagrado e a história: "Cada documento pode ser considerado como uma hierofania, na medida em que exprime à sua maneira uma modalidade do sagrado e um momento da sua história, isto é, uma experiência do sagrado entre as inumeráveis variedades existentes. Aí, qualquer documento é para nós precioso, em virtude da dupla revelação que realiza: 1.º) revela uma modalidadedo sagrado, enquanto hierofania; 2.º enquanto momento histórico, revela uma situação do homem em relação ao sagrado." desconhecia que alguma vez eliade tivesse estado entre nós. a primeira revelação desta situação foi o seu "diário português" (2008), escrito entre 1941 a 1945, anos em que permaneceu em portugal como diplomata da embaixada da roménia em lisboa, entre cascais e lisboa. no "diário" a 21 de abril de 1941, fala-nos da "pobreza intelectual de lisboa", ameaçando-o "de uma lenta degradação". O "diário" serviu para se "reencontrar" e se "concentrar" em si mesmo. a segunda surpresa foi a de hoje. ao ir até à livraria fontenova em busca de um outro livro, apareceu-me este "salazar e a revolução de portugal", o qual acaba por ser uma perspectiva e u ma análise histórica a portugal, passando pela monarquia, viajando pela república até à ascensão de salazar. tal como podemos ler logo no início do estudo introdutório, "se salazar é uma das figuras da cultura portuguesa mais sujeitas a processos de mitificação, sem dúvida que esta obra de Mircea Eliade inaugurou e lançou bases sólidas, no campo da Filosofia da História, para a construção do mito luminoso do fundador do Estado Novo português." o livro vale, posso então dizê-lo, e indo ao encontro de eliade, como uma forma de percebermos como esse mito e a sociedade portuguesa de então se construiu, diria, no profano e na profanidade mental de sermos portugueses. o livro vale, portanto, documento histórico de um tempo concreto. e de bernardino machado diz-nos, o seguinte, a dado passo: "Bernardino Machado era por excelência "o presidente. na verdade, em breve será eleito presidente do Partido Republicano. A sua adesão é um golpe mortal para a Monarquia. As últimas vacilações e reticências da burguesia são vencidas por esta aparição nobre, a personificação de todas as virtudes cívicas e familiares. "O seu papel essencial será o de dar ao partido a apa~rência e a psicologia de um partido de Governo: acabaram-se os sonhos federalistas (luso-hispânicos), o extremismo social, o internacionalismo, as doutrinas transcendentes, a desordem; do ponto de vista positivo: ordem por dentro, paz por fora, fundada na aliança com os ingleses. É desde o início, o programa de um estadista responsável." (Ribeiro Lopes). Machado sonha com uma República burguesa, ordeira, calma. No seu foro íntimo, detestava a República de rua, dos tribunos, a República revolucionária, dinâmica, telúrica. Era um homem de ordem, mas a sua ambição desmesurada fez com que tenha sonhado durante tod aa sua vida com o dia em que chegaria a chefe do Estado; para que o seu sonho se tornasse realidade, não recuou perante a necessidade de atacar a Monarquia que tanto amava. / Ao seu lado, todos os outros chefes republicanos parecem explosivos, terroristas, demoníacos. A barba patriarcal do nobre presidente é um símbolo de todads as virtudes patrióticas. O poeta desvairado, o judeu de génio Guerra Junqueiro - que escreveu as páginas mais atrozes contra Deus, Portugal e o rei, para acabar a sua vida abraçando um cricifixo - é o único a escrever: "Bernardino é um lírio que irá dar um fruto envenenado..." A história não o contradisse. Machado criou o mito da República cordial, simples, honesta, burguesa, bem comportada, pelo qual a revolução conseguiu converter e abalar os velhos partidos do Governo. O sorriso do presidente foi o cavalo de Tróia da revolução no coração da burguesia portuguesa." (79-80). uma perspectiva que pode ser muito bem analisada, esta de eliade sobre bernardino machado. possivelmente, numa próxima oportunidade, após a leitura integral deste livro do historiador das religiões. e para a desconstrução de alguns destes mitos que se construiram, nada melhor do que ler o estudo de Norberto Ferreira da Cunha intitulado "Bernardino Machado: de monárquico liberal a republicano (1882-1907), estudo publicado nas obras de bernardino machado "Política", Tomo I (2011), uma edição da câmara municipal de vila nova de famalicão, do museu bernardino machado e das edições húmus.











domingo, 27 de fevereiro de 2011

estado e igreja na república

  • "A questão religiosa, a questão económica e a questão política são fundamentalmente questões de eleição. / Que pretendemos em religião? Pretendemos que todos tenham o direito de escolher o seu culto; e, dentro do culto católico, que é o nosso culto tradicional, a que todos queremos muito, porque, ainda quando não seja o de alguns de nós, foi o dos nossos pais e é de quase todas as nossas mulheres, pretendemos que à nossa igreja matriz e ao nosso seminário diocesano, governados pelos nossos párocos e bispos, da nossa escolha, porque são da escolha da nação, se não substituam as capelas e os noviciados de propaganda romana, que às nossas misericórdias, irmandades e confrarias, de nossa eleição, se não substituam as congregações religiosas adscritas passivamente à obediência de Roma, e não mesmo da Roma do papa branco, mas da Roma do papa negro." (Bernardino Machado, Eleições).
  • "Nós queremos a plena liberdade de cultos, portanto, a liberdade de associação religiosa, mas sem que dentro de nenhuma se professem votos que sejam a anulação da própria liberdade. E, como respeitamos todas as crenças, não queremos que nas nossas escolas se obriguem os nosos filhos a nenhum catecismo nem a nenhum juramento confessional, e tão pouco queremos que se desnature a missão civilizadora, moralizadora, que nos compete sobre as raças incultas ultramarinas confiadas à nossa guarda, convertendo-a numa missão sectária, fanática, de propagação da fé ultramontana de nenhuma igreja. O Estado, que é a grande associação onde se reunem todos os crentes da nação, das mais diversas confissões, a todos deve respeito e protecção, mas só uma religião pode e deve ter sua própria, que é a do bem, da fraternidade, da assistência pelos humildes e pelos infelizes." (Bernardino Machado, Aos Eleitores)



  • A separação do Estado e da Igreja: do 5 de Outubro à aplicação da Lei da Separação

  • Os «carbonários» tentam cooperar com a Igreja e a «Aliança Liberal» ataca-a (1911 a 1917)

  • Sidónio Pais muda a Lei da Separação. A primeira concordata republicana (1918)

  • A vitória dos extremos: os monárquicos isolam papas e bispos. Os laicistas manietam os democráticos (1919-1926)

  • Doze conclusões sobre a Separação entre o Estado e a Igreja







"O presente trabalho defende uma tese: a separação não foi querida nem pela Igreja Católica nem pelo Estado. Uma vez iniciada, ultrapassou-os, obrigou-os a aplicarem estratégias de luta, dividiu-os a ambos, e reformulou-os em termos que, à partida, nem um nem outro tinham imaginado. Foi decisiva para Portugal. Depois do 5 de Outubro, os republicanos sempre quiseram o acordo com a Igreja, por a temerem e por respeitarem a liberdade de consciência; mas começaram por querer esse acordo numa base regalista, que a Santa Sé rejeitou. Regalismo é o domínio do poder régio - e portanto estatal - sobre a Igreja. A Santa Sé divulgou a pastoral dos bispos, em Fevereiro de 1911 e, a aprtir de então, deixou de ser possível recuar. Republicanos e católicos dividiram-se ambos entre partidários e adversários de um compromisso, mas na esmagadora maioria das paróquias o culto prosseguiu em total liberdade, num contexto conflitual, em que alguns actos estatais eral qualificados de «perseguição». A República e a Santa Sé resolverão a questão religiosa depois da Primeira Guerra Mundial, mas não conseguiram dominar os seus extremistas, laicistas de um lado e antimaçons do outro. Os dois extremos mantêm a questão religiosa a borbulhar até ao 28 de Maio de 1926." (Luís Salgado Matos, p. 33).


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

pensar a república mitos



































é o fim da reportagem que o jornal "a pátria" dedicou à viagem atlântica de gago coutinho e sacadura cabral entre março a julho de 1922.